Alan Woods
sábado, 28 de maio de 2011
Sem paciência os equívocos seriam sucessivos
Otávio Dutra, militante do núcleo Paulo Petry do PCB e da UJC e estudante de medicina em Cuba.
A seguinte reflexão é resultado dos últimos acontecimentos na vida orgânica do PCB, do desligamento de um grupo de militantes.
Desde uma realidade tão distante e distinta, de intenso aprendizado com a experiência do povo cubano e das diversas organizações revolucionárias da América Latina e do mundo - que diariamente tenho o privilégio de estar em contato e intercambio - buscarei fazer uma singela reflexão, com a intenção de contribuir com o debate interno do Partido. Não escondo a preocupação que toma conta de mim quando soube do desligamento de alguns militantes, que sempre surgirá a cada vez que um camarada decida tomar outro rumo. Das particularidades de cada uma das cartas de desligamento que tive acesso, farei o exercício de generalizar os aspectos mais relevantes e centrais, longe de acreditar que a verdade é tão objetiva quanto os fatos.
Assim como é a realidade, a construção de um instrumento político que sirva ao projeto revolucionário das classes oprimidas também é repleta de contradições, determinadas em última instância pelas mesmas contradições da realidade e das relações sociais nela estabelecidas. Quando não partimos dessa premissa caminhamos em terreno lodoso. Buscar conhecer as principais contradições dessa realidade e seu movimento é dever do ser coletivo Partido, que manterá por toda sua existência - em suas mais profundas entranhas - os conflitos entre a velha sociedade e a nova sociedade em construção, os velhos princípios e as críticas a eles, as velhas e as novas práticas nas relações sociais.
Enfim, não compreender esse processo é idealizar a realidade, os instrumentos para a construção de outra hegemonia e a própria revolução socialista. O PCB foi e é constituído por essas contradições. No futuro não há dúvida que continuará sendo, mas permeado por outros e novos conflitos, na medida em que a realidade se transforma e se alteram as relações sociais. Não seria uma previsão futurística dizer que problemas análogos aos atuais estarão presentes na vida do PCB por toda sua existência e, para isso, basta conhecer sua história. Afinal, quantas foram suas divisões condicionadas por variações estratégicas e táticas, por erros e acertos?
Se levarmos em conta as divisões que tiveram relevância a nível nacional já seria um desafio enumerá-las, mas se formos avaliar a nível das bases do partido e de sua mediação com as lutas do povo, provavelmente impossível seria contabilizar. Aliás, todas as organizações surgidas da mesma raiz comunista, por mais puristas, “revolucionárias e ligadas às reais lutas dos trabalhadores” que se reivindicassem, caíram nas mesmas (ou ainda mais graves) contradições. Algumas vezes, como a história explicita, demonstrou-se a intencionalidade de debilitar a organização dos revolucionários. Outras vezes a ignorância, o imediatismo e o idealismo foram os elementos da divisão, inclusive em processos liderados por honestos e experientes comunistas.
Por último, talvez em poucas vezes na história, os caminhos do PCB e da conjuntura nacional foram tão obscuros e de horizonte tão difícil de vislumbrar que revolucionários decidiram seguir seus caminhos como comunistas por fora da nossa histórica organização, orientados por avaliações estratégicas e táticas tão distintas e fundamentadas cientificamente que apenas a história, vista desde o futuro, tem condições de clarificar os acertos e erros. No último caso citaria as polêmicas de Carlos Marighella em 1967 e de Luiz Carlos Prestes em 1980. Nas situações anteriores se agrupam a grande maioria das pequenas ou grandes divisões do PCB. Espero, sinceramente, que os militantes que pedem desligamento não estejam no primeiro grupo, mas só a história poderá demonstrar. Tampouco existe, pelos documentos que tornaram públicos, uma fundamentação concreta e tão radicalmente distinta das linhas do PCB que trate das razões estratégicas ou táticas que determinaram sua decisão. Seus fundamentos estão construídos em torno de elementos tão subjetivos e particulares que analisá-los se torna uma tarefa difícil, inversamente proporcional à forma que pedem desligamento do PCB, aparentemente tão fácil e rápida em se tratando de tempo histórico.
A paciência é uma das mais importantes virtudes de um comunista. Sem ela os equívocos seriam sucessivos, não por intenção de debilitar a organização dos comunistas, mas por imediatismo e idealismo, sendo que o primeiro está englobado no segundo. No entanto, infelizmente, hoje a realidade das esquerdas no Brasil está envolta nesses conceitos, dentro e fora do PCB. Os anos pós-ditadura foram perversos para a reorganização dos comunistas. Muitos foram os quadros que perdemos por tortura e assassinatos, um déficit que jamais poderemos recuperar - gerações interrompidas. Outros em tantos anos de exílio voltaram com idéias tão liberais como as dos nossos inimigos de classe. Alguns poucos seguiram combativos e revolucionários, organizando os trabalhadores na tradição dos comunistas, mas com enormes dificuldades. Poucos anos depois veio outro golpe duro, o fim da URSS, que desestabilizou ainda mais o já enfraquecido movimento comunista no Brasil e no mundo.
Os rumos dessa crise foram a criação do PT, com nebuloso horizonte estratégico e majoritariamente balizado na negação das lutas do passado e do PCB. Nesse quadro se adiciona o rápido avanço do capitalismo brasileiro e a consolidação de um consenso burguês tão sólido e forte como nunca visto. O resultado para a esquerda é lógico: fragmentação, desorientação e distanciamento do povo. Essa é uma verdade que permeia o Brasil e não o PCB exclusivamente. Obviamente uma esquerda construída com essas características, forma militantes com vícios na mesma origem: autonomistas, desorientados estrategicamente, fraccionistas, detentores da verdade e, consequentemente, distantes das lutas do povo.
No entanto, para compreender a realidade, tão mais complexa quanto mais se complexificam as relações sociais em um determinado meio de produção, mais necessário será a construção de um ser coletivo – forte, flexível e unido – em contraponto com os vícios da presente esquerda. O PCB pode equivocar-se em muitos aspectos, mas está superando-se em sua capacidade de compreender questões estratégicas fundamentais e em realizar autocríticas. Ainda faltam muitos aspectos da realidade a serem estudados e compreendidos, em outros as avaliações podem estar erradas e condicionando erros da ação. Mas o mais importante é que está em movimento e buscando acompanhar os movimentos da realidade como ser coletivo, transformando-se como instrumento nesse processo, o que é nítido e sintomático nos últimos anos.
Destaco que tempo nos processos históricos, constituídos pelas relações entre grupos sociais, tem uma dinâmica diferente do tempo biológico de um indivíduo. Neste momento é que entra a reflexão sobre uma das mais importantes qualidades de um comunista, a paciência. As transformações em processos coletivos são mais lentas que as ocorrem em um indivíduo, justamente porque são relações entre indivíduos, diversos e singulares. Ao mesmo tempo, a construção de uma consciência coletiva transforma profundamente a forma de compreender o mundo de cada indivíduo, elaborando uma verdade coletiva. Sem essa clareza podemos cair em avaliações superficiais e de respostas rápidas, mas incompletas ou falsas. Não existe nem existirá instrumento político que construamos que não esteja constituído por essas questões.
Os aspectos da vida interna do partido e, consequentemente, sua forma de interação com as classes populares estão repletos de elementos em construção. Idealizar o processo seria esperar que essa construção pudesse ser homogênea. Pelo contrário, são as disputas de idéias e concepções as que permitem o partido reconstruir-se e, quanto mais intensas e respeitosas forem, menos tropeços cometeremos ao caminhar. Repito, quanto mais criticadas construtivamente e amplamente refletidas forem as linhas definidas pelo partido, quanto mais nos aproximarmos da verdade coletiva, mais acertado será o rumo.
Mesmo que alguns, mais pela repetição de palavras soltas que por fatos, queiram calcificar o PCB, este ainda está muito longe de ser um instrumento engessado. A disputa de idéias será cada vez mais importante dentro da vida partidária quanto mais o PCB esteja vinculado às lutas reais do povo brasileiro, àquelas que se constroem de baixo para cima, e quanto mais responsabilidades com os rumos da classe trabalhadora tivermos. Repetem também que o PCB não dialoga com o povo. Eis um exemplo claro da idealização do instrumento, exigir que em 6 anos desde o XIII Congresso e a menos de 2 anos do Congresso de Reconstrução Revolucionária o PCB estivesse com um profundo diálogo com o povo.
Como fazer isso se a formação de quadros novos é um processo tão lento e difícil? Como acertar o rumo da prática cotidiana sem um profundo debate sobre as questões estratégicas da realidade brasileira? Além do mais, construir uma organização que seja parte e instrumento potencializador das diversas lutas do povo não acontece somente pela vontade ou pela boa prática dos revolucionários. Depende das condições históricas geradas pelo próprio antagonismo das classes em luta. Por mais acertado que possa ser o diagnóstico que fazem os que dizem que o PCB está longe do povo, que será avaliado pelos que permanecem, estão longe de acertar as soluções para os problemas ao simplificar e idealizar a realidade e as relações sociais nela desenvolvidas.
Tenho também profunda divergência quando alguns afirmam que o PCB está permeado de dogmatismos e mistificações. Não porque pense que é uma organização sem problemas, mas porque não acredito que essa falsa dicotomia seja um elemento que os marxistas devam utilizar para o debate político. Afinal, quem é o dogmático e quem é o dialético? Podem existir divergências políticas (em conteúdo, forma e profundidade) ou interpretações distintas da realidade (mais ou menos científicas) e que devem ser enfrentadas em busca de uma verdade coletiva. Dizer que o PCB está permeado de camaradas repletos de dogmas, como afirmaram, esconde as divergências reais e congela as contradições da organização e dos indivíduos que a compõem.
Uma questão de método importante é como aprender a conviver com a diversidade e construir, politicamente, a unidade, e pedagogicamente avançar na consciência coletiva e transformar-se nesse processo. Não é esse o desafio dos revolucionários e do partido, contribuir para elevar o nível de consciência da classe trabalhadora que está envolta em senso comum? Provavelmente, pela heterogeneidade da organização a nível nacional, existem debates mais profundos e democráticos que outros, que devem ser utilizados como exemplo, sobre variados temas. Um comunista deve ter cuidado para não transformar a parte em totalidade, por mais complexa que seja sua inserção direta, seja no movimento, seja no partido.
Por fim, me surge uma reflexão a partir de uma infeliz afirmação de um camarada, quando, na ânsia de dizer que o PCB não é dono da verdade revolucionária e justificar sua decisão de abandonar a construção da organização, diz que tem amor pela causa e não pelo instrumento. Discordo essencialmente, já que na busca de respostas rápidas e fáceis se invertem conceitos e princípios. Pela causa revolucionária não existe comunista que tenha amor, um sentimento tão subjetivo para um projeto de sociedade, mas sim convicção fundamentada na ciência e nas experiências de luta dos povos; pelo instrumento os revolucionários devem cultivar um profundo sentimento de identidade – e tudo que construímos com consciência, trabalho e sacrifício amamos; entretanto o mais profundo sentimento de amor não é com a causa e não pode ser com o instrumento, que de fato é fundamentalmente um meio, o profundo amor de um comunista é com o povo sofrido e trabalhador, com os humildes de sua pátria e do mundo.
O PCB é um instrumento - não o único - que poderá contribuir muito para a reorganização dos revolucionários no Brasil, para a unidade da classe e para a construção de uma contra (outra)-hegemonia tão ampla e intensa que possa fazer frente ao Estado burguês e todos seus instrumentos de dominação, abrindo o caminho para a construção de um Brasil socialista. Essa será nossa batalha cotidiana, dentro da organização e na ação junto aos trabalhadores. Por esse instrumento, companheiros e companheiras que agora seguem outro caminho, e por acreditar tanto nele como esperança para o povo brasileiro, poderia dar minha vida se necessário, assim como tantos outros camaradas ontem, hoje e amanhã.
12 de maio de 2011, Havana - Cuba
SIONISTAS TENTAM CRIMINALIZAR O PCB E CASSAR O REGISTRO DO PARTIDO NO TSE
(Nota Política do PCB)
Fomos informados de que uma entidade chamada CONIB (Confederação Israelita do Brasil) teria formalizado, no início deste mês, representação contra o PCB (Partido Comunista Brasileiro), junto ao TSE, alegando prática de “antissemitismo”, por ter a página do partido na internet publicado artigo denominado “Os Donos do Sistema: o Poder Oculto; de Onde Nasce a Impunidade de Israel”.
Na apresentação de seu portal, a entidade se assume sionista, posiciona-se “na linha de frente do combate ao antissemitismo” e oferece “links” para todas as organizações sionistas de Israel, dos Estados Unidos e de âmbito mundial ou nacionais, a imensa maioria de direita.
Apesar de ainda não conhecermos os termos da representação (não divulgada pela entidade), inferimos que sua verdadeira intenção é tentar cassar o registro do PCB, como se se fosse possível calar a voz dos verdadeiros comunistas brasileiros. Nosso partido – o mais antigo do Brasil, fundado em 1922 - foi escolhido criteriosamente para esta ofensiva por razões que nos orgulham. Além de lutarmos pela superação do capitalismo, praticamos com firmeza e independência o internacionalismo proletário, a solidariedade a todos os povos em luta contra o imperialismo e o sionismo, cujo significado não se refere ao seu conteúdo original, mas ao caráter atual do movimento, hegemonicamente fascista e imperialista.
A nosso ver, trata-se de uma ação política, muito mais do que jurídica.
O texto que provocou a reação da CONIB é de autoria do jornalista argentino Manuel Freytas, divulgado originalmente no sítio eletrônico IAR Notícias, e reproduzido mundialmente em pelo menos mais de trinta portais progressistas e anti-imperialistas, listados ao final desta nota.
Segundo a apócrifa nota publicada pela citada CONIB (www.conib.org.br), o texto se utiliza“de imagens apelativas, distorções da realidade e argumentos conspiratórios e claramente anti-semitas”, revelando “alto grau de desconhecimento do cenário político-econômico internacional”, por repetir (agora no século 21!) chavões da obra “Os Protocolos dos Sábios de Sião, farsa montada pela polícia czarista da Rússia, no século 19”. Assim, o PCB é acusado de “incentivar a discriminação e a proliferação da intolerância religiosa, étnica e racial em nosso país”.
Termina a nota afirmando que a representação baseia-se na Lei Orgânica dos Partidos Políticos, com a “finalidade de evitar que abusos e inverdades desencadeiem preconceitos contra a comunidade judaica brasileira”.
Diante deste fato, o PCB vem a público se pronunciar:
1 – O PCB não se intimidará diante da pressão de organizações sionistas de direita e continuará prestando ampla, geral e irrestrita solidariedade ao povo palestino, vítima da escandalosa impunidade de Israel, tema do artigo considerado ofensivo. Desrespeitando todas as Resoluções da ONU, o estado israelense continua ampliando a ocupação de territórios dos palestinos, derrubando suas casas, criando o chamado “Muro do Apartheid”, invadindo e cercando a Faixa de Gaza, onde impede a entrada de ajuda humanitária (inclusive alimentos e medicamentos), assassinando e prendendo militantes palestinos, mantendo mais de 11.000 deles em condições abjetas em seus cárceres. Mais do que isso, continuaremos a denunciar que Israel se transformou numa enorme base militar norte-americana no Oriente Médio. O país é o primeiro destino da ajuda militar estadunidense no mundo e o único do Oriente Médio a ter direito a armas nucleares, sem permitir a inspeção internacional que exige de outros países.
2 – Esta ofensiva contra o PCB se deve ao fato de que apoiamos e participamos dos diversos Comitês de Solidariedade ao Povo Palestino que se consolidam e se multiplicam pelo Brasil. No nosso portal, este texto foi escolhido aleatoriamente, pois com uma simples pesquisa se pode verificar que ali os artigos e informações sobre a luta contra a política terrorista do Estado de Israel se contam às centenas, muitos deles mais contundentes que o escolhido para ofender a liberdade de imprensa consagrada em nosso país e tentar intimidar e criminalizar o PCB. Publicamo-lo exatamente há um ano, mas só agora ele foi “descoberto”.
3 – É significativo que esta atitude intimidatória (que está se dando em vários países) ocorra no exato momento em que as duas maiores organizações políticas palestinas (Fatah e Hamas) anunciam a retomada de seus entendimentos e o desejo de dividir a responsabilidade pela administração dos territórios palestinos, que foram separados arbitrariamente pelas forças militares israelenses com o uso da violência e da ocupação.
4 – A unidade dessas duas organizações contraria os planos imperialistas de divisão sectária entre os palestinos – exatamente porque cria melhores condições para o reconhecimento internacional do Estado Palestino e para uma negociação pela paz na região -, tudo que Israel não deseja, apesar das reiteradas resoluções da ONU nesse sentido.
5 – Esta atitude arbitrária de perseguição política coincide também com a satanização do mundo muçulmano, este sim vítima de preconceitos e estigmatização, sem que a mídia burguesa se utilize de expressões como “anti-islamismo”, “anti-xiitismo”, “anti-sunitismo” etc. Coincide também com a proximidade da Assembleia Geral da ONU que, no próximo mês de setembro, discutirá o reconhecimento do Estado Palestino.
6 - Coincide ainda com a movimentação imperialista para ampliar seletivamente a agressão militar no Norte da África e no Oriente Médio, para além do Iraque e do Afeganistão. Coincide com a descarada intervenção militar na Líbia, com as provocações contra a Síria e o Irã, acusados de solidários aos palestinos e de apoio ao “terrorismo”.
7 - As raivosas declarações das autoridades israelenses sobre a unidade das citadas organizações políticas palestinas deixam em evidência que Israel não tem qualquer interesse na paz na região e muito menos na criação do Estado Palestino. Fica claro que o objetivo do sionismo é ocupar todo o território palestino, através dos assentamentos ilegais, transformando o antigo território palestino no que chamam de Grande Israel, para inviabilizar na prática uma decisão da ONU, de 1948 - da coexistência pacífica de dois Estados, no território até então exclusivamente palestino -, boicotada pelos israelenses há mais de sessenta anos!
8 – Não tememos qualquer processo judicial, porque conhecemos as leis brasileiras, que têm como cláusula pétrea constitucional o livre direito de expressão e a proibição da censura.
9 – Mesmo que prosperasse esta absurda afronta às liberdades democráticas, estamos certos de que teríamos a solidariedade firme e militante de centenas de organizações políticas e sociais e personalidades democráticas, não só do Brasil, mas de todo o mundo.
10 – Não há, em qualquer documento do PCB, qualquer intolerância religiosa, étnica e racial contra qualquer povo ou comunidade. Criticar a direita sionista não significa criticar a comunidade judaica que, no Brasil e no mundo, é composta também por militantes democratas, humanistas e comunistas, que lutam contra a política terrorista e imperialista do Estado de Israel e se solidarizam com o povo palestino. O PCB tem uma vasta e orgulhosa tradição, desde a sua fundação até os dias de hoje, de contar com militantes e amigos de origem judaica.
11 - Os comunistas, em todo o mundo, somos contra qualquer intolerância religiosa ou étnica, contra preconceitos e nacionalismos xenófobos, porque lutamos por um mundo de iguais, sem fronteiras, sem Estado, sem forças armadas, sem opressores e oprimidos. Não entendemos o que a CONIB quer dizer com a expressão “intolerância racial”, pois todos os povos pertencem à mesma raça humana. A não ser que assim pensem os que se acreditam pertencentes a uma “raça superior”, escolhida por alguma divindade.
12 - Os comunistas do mundo inteiro tiveram papel decisivo na luta contra o nazi-fascismo que vitimou dramaticamente os judeus, mas também a muitos outros povos. O povo russo, dirigido pelo Partido Comunista da União Soviética, foi o que entregou mais vidas em defesa da humanidade, mais de 20 milhões, principalmente de seus jovens.
13 – O sítio do PCB na internet é um espaço de difusão não apenas das opiniões do Partido, mas de outras organizações e personalidades com alguma afinidade política, porque objetiva também prestar informação e fomentar o debate sobre questões candentes, nacionais e internacionais. Na primeira página de nosso portal (www.pcb.org.br), deixamos claro que:
“Só publicamos nesta página textos que coadunam, no fundamental, com a linha política do PCB, a critério dos editores (Secretariado Nacional do CC). Quando não assinados por instâncias do CC, os textos publicados refletem a opinião dos autores”.
14 - Com o texto questionado pela central sionista brasileira temos uma identidade política, na medida em que ele denuncia a impunidade de Israel, os massacres que este Estado comete contra o povo palestino, o seu importante papel econômico e militar no contexto do imperialismo. Publicamo-lo como contribuição a um debate necessário, ainda que algumas opiniões ali expostas possam diferir, em alguns aspectos, de nossa análise marxista da luta de classes no âmbito mundial. Para nós, o sionismo não é o “Comitê Central” do imperialismo nem o único “dono do poder”, mas sócio e parte importante de sua engrenagem, uma significativa linha auxiliar com forte lobby internacional, enorme peso na mídia hegemômica, na economia mundial e na máquina de guerra imperialista.
15 – Sem preocupação com ameaças de qualquer tipo, estamos aqui oficialmente oferecendo à direção da Confederação Israelita do Brasil o direito de resposta, no mesmo espaço em que divulgamos o artigo criticado, para que a entidade possa se contrapor aos argumentos expostos pelo autor do texto “Os Donos do Sistema”. Como certamente o texto da CONIB será uma exceção ao nosso critério da afinidade política, nos reservaremos o direito de publicá-lo com comentários de nosso Partido.
16 – Este convite, além de democrático, atende à preocupação da CONIB, embora injustificada, de que sua finalidade, ao adotar a medida judicial, é “evitar que abusos e inverdades desencadeiem preconceitos contra a comunidade judaica brasileira”. Portanto, estejam à vontade para enviar ao nosso endereço eletrônico os seus pontos de vista.
17 – Esperamos também que a recíproca seja verdadeira, ou seja, que a CONIB publique em sua página a íntegra da presente nota política do PCB. Aproveitamos para sugerir que, no documento que nos mandarem, possamos conhecer suas posições em relação às Resoluções do último Congresso Nacional do PCB, a respeito do tema, e que transcrevemos aqui na íntegra:
“XIV Congresso Nacional do PCB (outubro de 2009):
DECLARAÇÃO DE APOIO À CONSTRUÇÃO DO ESTADO PALESTINO DEMOCRÁTICO, POPULAR E LAICO, SOBRE O SOLO PÁTRIO HISTÓRICO:
1) Pelo fim imediato da ocupação israelense nos territórios tomados em 1967, fazendo valer o inalienável direito à autodeterminação do povo palestino sobre estes territórios;
2) Aplicação de todas as resoluções internacionais não acatadas pelo sionismo;
3) Garantia aos refugiados (atualmente, 65% da totalidade do povo palestino) de retorno às terras de onde foram expulsos (Resolução 194 da ONU);
4) Libertação imediata dos cerca de 11.000 prisioneiros, entre eles Ahmad Saadat, Secretário Geral da FPLP, e outros dirigentes da esquerda;
5) Reconstrução da OLP, ou seja, reconstrução da unidade política necessária às tarefas que estão colocadas para o bravo povo palestino, com garantia de participação democrática de todas as forças políticas representativas dos palestinos;
6) Apoio irrestrito a todas as formas de resistência do povo palestino;
7) Destruição do muro do apartheid, conforme resolução do Tribunal de Haia;
8) Demolição e retirada de todos os assentamentos judaicos na Cisjordânia/Jerusalém;
9) Fim imediato do bloqueio assassino a Gaza;
10) Pelo fomento de campanha internacional para levar os criminosos de guerra sionistas aos tribunais de justiça, dentre os quais, o Tribunal Internacional de Haia.
11) Estabelecimento de sólida relação entre os partidos comunistas irmãos para concretizar ações de solidariedade e, em especial, apoio logístico à materialização desta luta;
12) Apoio a todas as iniciativas que visem estreitar laços entre os partidos da esquerda palestina, em especial a Frente Democrática pela Libertação da Palestina (FDLP), a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), Partido do Povo Palestino, em unidade concreta programática e de ação.
POR UM ESTADO PALESTINO DEMOCRÁTICO, POPULAR, LAICO, SOBRE O SOLO PÁTRIO HISTÓRICO! PELA TOTAL INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA DOS TERRITÓRIOS OCUPADOS EM 1967! PELO RETORNO DOS REFUGIADOS E JERUSALÉM CAPITAL! LIBERTAÇÃO DE TODOS OS 11.000 PRISIONEIROS PALESTINOS! PELA CONDENAÇÃO INTERNACIONAL DOS CRIMINOSOS DE GUERRA!”
18 – Mas voltando ao artigo que gerou a representação, para que as críticas da CONIB se centrem na contestação às informações ali prestadas - ao invés de se esconderem sob o manto autoritário do carimbo “antissemita” -, sugerimos que releiam o texto, sem sectarismo nem preconceito. Verão que ele pode ter equívocos na forma de sua correta condenação ao Estado de Israel, mas não tem qualquer intolerância religiosa ou étnica.
19 – O texto, em nenhum momento, atinge o povo judeu, mas à sua liderança hegemônica - direitista, sionista e terrorista - deixando claro que nem todos os judeus concordam com seus métodos e que há vários intelectuais, organizações e militantes judeus que condenam e protestam contra o genocídio em Gaza e outras violências do Estado de Israel.
20 – Leiamos novamente algumas passagens do artigo de Manuel Freytas:
“Israel não invadiu nem perpetrou um genocídio militar em Gaza com a religião judia, senão com aviões F-16, bombas de rácimo, helicópteros Apache, tanques, artilharia pesada, barcos, sistemas informatizados, e uma estratégia e um plano de extermínio militar em grande escala. Quem questione esse massacre é condenado por "anti-semita" pelo poder judeu mundial distribuído pelo mundo”.
“O lobby sionista pró-israelense não reza nas sinagogas, senão na Catedral de Wall Street: um detalhe a ter em conta, para não confundir a religião com o mito e com o negócio”.
“As campanhas de denúncia de antissemitismo com as quais Israel e organizações judias buscam neutralizar as críticas contra o massacre, abordam a questão como se o sionismo judeu (sustentáculo do Estado de Israel) fosse uma questão "racial" ou religiosa, e não um sistema de domínio imperial que abarca interativamente o plano econômico, político, social e cultural, superando a questão da raça ou das crenças religiosas”.
“A esse poder (o lobby sionista internacional), e não ao Estado de Israel, é o que temem os presidentes, políticos, jornalistas e intelectuais que calam ou deformam diariamente os genocídios de Israel no Oriente Médio, temerosos de ficarem sepultados em vida, sob a lápide do "antissemitismo".
22 - Estejam certos de que não calarão nem sepultarão o PCB em vida, tarefa que não foi possível nem para as mais cruéis ditaduras de direita que marcaram a história do nosso país. Prenderam, exilaram, assassinaram, desapareceram com muitos comunistas, no Brasil e no mundo, por lutarem contra a opressão, pela autodeterminação dos povos, pelas liberdades democráticas e contra o nazi-fascismo.
Exigimos respeito!
Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
Maio de 2011
Observações:
1 – Este e outros artigos de Manuel Freytas são publicados, entre muitos outros, nos seguintes sítios:
2 - Segundo levantamento feito pela Federação Árabe-Palestina, apenas em 2011, a CIA destinou 120 milhões de dólares, para financiar o sistema de difamação da religião islâmica no Brasil.
3 – O mesmo texto usado pelo sionismo contra o PCB é usado como pretexto para o mesmo tipo de ação intimidatória na Venezuela, num relatório denominado “Antisemitismo en Venezuela”, de autoria de uma organização à qual a CONIB é ligada, chamada ADL (Anti-Defamation League), que em português significa Liga contra a Difamação. Apesar do nome genérico da entidade, ela só criminaliza e intimida o que considera difamação “anti-semita”. Veja a página 16 do sítio http://www.adl.org.
4 – neste momento, Israel está usando os céus da Grécia, por autorização do governo local, para treinar seus pilotos e testar seus aviões militares para um possível ataque ao Irã, cuja topografia tem características semelhantes às do país helênico.
5 – nos próximos dias, estaremos publicando aqui nesta página vários textos de judeus progressistas e comunistas, inclusive israelenses, contra o sionismo e a utilização do carimbo “antissemitismo” como forma de censurar denúncias contra o Estado de Israel.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O COMUNISMO JOVEM DO PARTIDÃO
Ele está no inconsciente afetivo de todos os militantes de esquerda. Figura nas mais belas páginas dos melhores livros de História. Permanece como referência histórica nos mais distintos debates de diferentes setores progressistas. E continua à esquerda, sob qualquer conjuntura. O partidão, ou Partido Comunista Brasileiro (PCB), sofreu muito com os revezes históricos. Os rachas das décadas de 1980 e 1990, e a devastação neoliberal do mesmo período, o fragilizaram bastante. Entretanto, um processo lento de recuperação já toma fôlego há alguns anos. O que encanta, sobretudo, no período atual, é o crescimento de uma juventude combativa e bem posicionada vinculada ao partido. A União da Juventude Comunista (UJC) soma ao crescimento em número de militantes o crescimento de politização, e um projeto sério de inserção nas lutas sociais sob a ótica do novo comunista jovem.
“É impensável pensar essa rearticulação da UJC, dentro dessa linha revolucionária, separada do próprio processo de reconstrução do PCB. A UJC só consegue se reorganizar em 2006, quando o partido formaliza uma posição sobre sua visão estratégica da sociedade brasileira”, afirma Luís Fernandes, integrante da coordenação nacional da UJC. Vencidos os processos autofágicos internos, o PCB volta a se estruturar, principalmente no início deste século. E volta a visualizar a necessidade de se organizar a juventude. Em 2006, depois de muitos anos, a UJC consegue organizar um congresso nacional. Viria a se articular novamente, em 2009, para dar vida a novo congresso.
A partir dessa melhor organização, com linha estratégica definida e militância ativa, a UJC começa a ganhar corpo novamente, e formar quadros qualificados. Ivan Pinheiro, secretário-geral do PCB e candidato à Presidência da República em 2010, avalia com otimismo o crescimento da organização. “A UJC não garantirá apenas um futuro burocrático para o PCB, mas um futuro revolucionário e internacionalista. É a primeira geração de comunistas que não viveram as deformações do reformismo que prevaleceu no PCB em décadas passadas e que entrou no Partido em pleno processo de sua reconstrução revolucionária”. Hoje, a UJC está organizada em, pelo menos, 15 estados, com boa intervenção, fazendo discussões específicas da juventude.
Em alguns estados, é mais forte entre a juventude trabalhadora. Em outros, articula-se com maior consistência dentro do movimento estudantil, ou mesmo junto ao movimento cultural – uma tradição entre os comunistas. Devido às dificuldades financeiras, e à ausência no universo institucional – o que não consideram problema –, os jovens não conseguem manter militantes voltados exclusivamente para a organização. No entanto, têm uma preocupação crescente com a qualificação de seus quadros. “A gente tem hoje uma linha estratégica bastante coerente e coesa. Não queremos virar uma organização inchada, sem intervenção qualitativa na sociedade. A gente quer crescer, ganhar capilaridade, mas o que a gente mais preza é ter uma intervenção qualitativa”, afirma Luís.
Uma das estratégias da UJC para ampliar sua atuação política, com ganhos qualitativos, é a parceria com a sociedade organizada. Seus jovens militantes estão, cada vez mais, articulados com os movimentos sociais, buscando protagonismo nas lutas da cidade e do campo. Maurício Souza, integrante da coordenação estadual da organização no Rio de Janeiro, vê na cidade um grande palco de lutas para os próximos anos. “No Rio, estão varrendo tudo o que não interessa. O objetivo é sustentar esse modelo de crescimento, esse desenvolvimento tardio que no Brasil se tem apregoado por todos os cantos, inclusive por certos setores que se dizem de esquerda. A UJC tem clareza de quem são os movimentos populares que lutam contra essa ordem, e está se unindo a eles”, diz. A luta por moradia e pelos direitos humanos têm sido os principais focos de atuação dos jovens comunistas.
Recentemente, tiveram importante atuação na organização do II Seminário da Plenária dos Movimentos Sociais. O espaço é uma articulação de movimentos populares mais combativos, em oposição ao modelo de desenvolvimento em curso no Estado do Rio, de forte ação predatória, e aos projetos elitistas relacionados aos megaeventos esportivos a ser recebidos no Brasil. O Seminário reuniu centenas de militantes interessados em dar unidade à difícil resistência prevista para os próximos cinco anos. “O diagnóstico coletivo, na Plenária, foi correto, sobre essa agenda econômica de estruturação do capital – a ideia de que existe um consenso burguês, e de que o Rio está no centro dele. Mas a gente não pode ter a ilusão de que, porque o diagnóstico está correto, a gente vai ganhar as lutas. A correlação de forças, aqui no Rio, infelizmente é bastante desfavorável para os movimentos e partidos de esquerda”, defende Luís.
Outra luta importante em que a UJC esteve presente foi a resistência dos moradores do Complexo do Alemão aos saques, agressões, humilhações e estupros promovidos pelas forças policiais e militares, após a ocupação de 2010. A organização esteve presente na coleta de denúncias, na sistematização dos dados, na publicização das informações, e na divulgação de uma nota pública. “A partir das denúncias que estavam sendo feitas, a gente foi até as comunidades. A cobertura oficial estava homogeneizando as coisas, como se a operação tivesse sido um sucesso. No Complexo do Alemão, a gente ouvia os policiais dizendo que era um modelo a ser levado para todo o Brasil. Achavam um sucesso”, afirma Fernanda Macharet, que também integra a coordenação estadual. “Surge, então, a partir da articulação com entidades de direitos humanos, a necessidade de fazer alguma intervenção. Divulgamos o relatório e a nota pública. Foi a partir disso que a imprensa começa a denunciar policiais envolvidos com corrupção. Geramos algum movimento do Estado”, completa.
Mais do que um partido de bermudas
Talvez devido ao doloroso processo de fragmentação que sofreram ao longo de vários anos, os jovens comunistas têm uma visão madura de sua nova inserção no processo político. Afirmam que reivindicam tanto os acertos quanto reconhecem os erros da organização, e do PCB, ao longo da História. Até porque, como fazem questão de frisar, a UJC esteve envolvida nas mesmas polêmicas do partidão – como o posicionamento quanto à adesão ou não à luta armada, nos anos 1960. “A gente não tem mais aquela ilusão de que os partidos comunistas sejam os portadores da verdade no processo revolucionário”, explica Luís Fernandes. “Mas permanece o sentimento de que o socialismo é uma necessidade concreta do movimento da humanidade. A solução para os problemas sociais, econômicos, ambientais, culturais perpassa pela criação de uma nova fórmula de organização da vida”, diz.
Por isso, uma nova forma de atuação da UJC é construir projetos de intervenção em conjunto com os movimentos sociais. No universo acadêmico, eles estão desenvolvendo o Universidade Popular. “Estamos construindo esse projeto ouvindo os mais diversos setores”, explica Fernanda Macharet. Entretanto, inserem seu planejamento num tipo de militância que, dizem, se diferencia da linha de outras organizações ligadas a outros partidos. “A nossa diferença de intervenção é tentar construir um projeto para além das demandas imediatas do estudante”, explica Luís. Dessa articulação com outros setores, sonham construir a mesma frente antiimperialista e anticapitalista, de caráter contra-hegemônico, que o PCB tem defendido desde as eleições presidenciais de 2006.
Mesmo na maneira como se articulam com os movimentos, não buscam o mesmo protagonismo do passado. “A gente não tem a pretensão de ser o dono do processo. Temos que conhecer essas lutas, e fazer a mediação com a nossa linha estratégica, que é de ruptura. É assim que tentamos nos articular com os movimentos sociais nas diversas frentes”, defende Maurício Souza. Os jovens se organizam de forma diferente do partido. Não têm um secretário geral, mas uma secretaria geral colegiada, nacional. “Não é um minipartido político. A gente tenta ter outro formato. Temos os nossos núcleos, e as lutas transversais – o militante que atua junto ao MST, o que está na luta pela moradia, pelos direitos humanos, etc”, afirma Luís. A julgar pela alegria como expõe sua estratégia, seu avanço político não tende a ser um voo de galinha.
A tradição do jovem
Fundada em agosto de 1927, a UJC foi a primeira organização da juventude de esquerda da História do Brasil. Com influencia crescente, vai ter uma atuação importante no processo de formulação da União Nacional dos Estudantes (UNE). Basta dizer que o único fundador vivo da UNE é Irun Santana, ex-integrante da UJC. A juventude comunista começa, então, a elaborar um esboço de formulação sobre a realidade brasileira. Logo em 1928, organizam seu primeiro congresso. Já era, desde o início, tempo de forte repressão por parte do Estado contra o comunismo. Os anos se seguem e a história da juventude do partidão será sempre de altos e baixos. Ora governos reprimem e levam a organização à fragmentação, ora eles ser articulam e retomam força.
O momento de maior estrangulamento é a década de 1970. Após a forte repressão por parte da ditadura civil militar (1964-1985), o partido tem grande dificuldade de se manter – sobretudo de organizar sua juventude. Nos anos 1960, a formação do PCdoB – e sua União da Juventude Socialista (UJS) – já fragmentara a luta comunista. E em 1992, com o revés soviético, a maioria dos dirigentes do PCB decide fundar um novo partido. Surge o Partido Popular Socialista (PPS) – que hoje, na oposição ao governo Dilma, se alinha com o PSDB e o DEM. Debilitado, o PCB começa a articular seu erguimento. O consenso neoliberal do período, entretanto, freia maiores voos. É apenas na década de 2000 que ele se reestrutura. A UJC ganha fôlego novo a partir de 2006. Para o próximo congresso, em 2012, prevêem mais de 300 delegados. Estão convictos de que dias melhores estão guardados para o futuro.
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