segunda-feira, 1 de agosto de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

Movimento nacional pela universidade popular se fortalece em meio ao peleguismo reinante no 52° Conune.



(Nota da UJC Nacional)

O 52° congresso da UNE foi marcado pelo alto grau de institucionalização, tanto dos seus fóruns como dos seus debates e consolidou o triste papel que a UNE vem cumprindo hoje na sociedade brasileira: discutir a educação à luz das demandas do capital com a perspectiva de expandi-lo ou reformá-lo atrelado a um projeto consensual com a própria burguesia brasileira (nesta edição, o CONUNE convidou debatedores como Paulo Skaff, Presidente da FIESP) .
A ausência de debates, ousadia, crítica e autonomia refletem no pouco diálogo que existe hoje da UNE com o cotidiano dos estudantes; prova disso é o gradual esvaziamento do espaço. O que já foi bem diferente. A UNE na sua história sempre protagonizou (com a participação ativa da UJC) as principais lutas por uma educação pautada pelas necessidades das classes populares e da sociedade em geral através de um forte apelo e mobilização dos estudantes.
A UJC reconhecendo esta importância participou do último CONUNE para além das disputas de cargos e delegados, mas com a preocupação em expandir e fortalecer o movimento nacional pela UNIVERSIDADE POPULAR, juntamente com a Juventude Comunista Avançando e Juventude Libre. Organizamos dois debates paralelos ao Congresso, ambos com uma grande participação: o primeiro sobre “A crise estrutural do capitalismo e a alternativa socialista”, com a contribuição do camarada Robson, da direção estadual do PCB em Goiás; o outro foi com a temática “Caminhos para a Universidade Popular”, onde em um clima construtivo as militâncias da UJC, JCA e Juventude Libre apresentaram o acúmulo teórico e histórico do debate de universidade popular para mais de 70 estudantes.
Nas suas intervenções na plenária final, o “movimento nacional pela Universidade popular” denunciou com muita veemência o atual estágio de amoldamento a institucionalidade burguesa da UNE, além de reafirmar a necessidade de se construir um movimento político amplo e estratégico no campo da educação, de caráter anticapitalista e antiimperialista, superando a lógica de disputa interna da UNE ou criação de aparelhos paralelos divisionistas, como o caso da ANEL.
Sem dúvida alguma, a intervenção qualificada da UJC com os camaradas da JCA e Juventude Libre neste limitado congresso reafirmaram a necessidade da edificação de uma universidade para além do capital, a universidade popular. Coerência política e ideológica que conquista o respeito de diversas organizações e estudantes do campo da esquerda que hoje compõe a oposição de esquerda da UNE, a qual infelizmente se limitou a atuar e discutir nos limites do congresso da UNE.
Temos a clareza de que o movimento pela universidade popular pertence a todos os lutadores que não se iludem em discutir a universidade separada das grandes questões da sociedade nem muito menos nutrem a ilusão de humanizar ou reformar a atual lógica nefasta de mercantilização da vida ocasionada pelo desenvolvimento do capitalismo em nosso país.

Portanto, TODOS AO I SEMINÁRIO DE UNIVERSIDADE POPULAR, EM PORTO ALEGRE, NOS DIAS 2,3 E 4 DE SETEMBRO!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Federação Mundial da Juventude Democrática se encontra em Lisboa para fortalecer luta anti-imperialista.


Seguindo a decisão definida pelo Conselho Geral da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD) em reunião em março deste ano, a entidade irá organizar sua 18ª Assembleia entre os dias 08 e 12 de novembro, em Lisboa, Portugal.

Sob o slogan “Fortalecer a FMJD e a luta anti-imperialista por um mundo de paz, solidariedade e transformação social revolucionária!”, a Assembleia irá contar com a presença de todos os membros da Federação, que irão avaliar o trabalho desenvolvido nos últimos 4 anos e a situação política da juventude no mundo. O encontro vai definir, ainda, estratégias para reforçar a entidade e a luta da juventude contra o imperialismo, além de eleger uma nova liderança representativa.

Sediada pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), a Assembleia também representa uma demonstração de solidariedade à campanha dos jovens lusitanos contra as políticas de direita que sucessivos governos impuseram durante três décadas ao povo, aos trabalhadores e à juventude, seguindo a linha da União Europeia de destruição dos direitos políticos e sociais em benefício a grandes grupos econômicos, em especial os banqueiros.

O convite à participação se estende a todos os membros e organizações simpatizantes da FMJD, bem como a toda a juventude anti-imperialista do mundo. Vale também promover o evento e espalhar o pôster de divulgação em seus escritórios, escolas, centros de juventude, sites, redes sociais e blogs, marcando posição nesse combate cada vez mais necessário ao imperialismo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

UJC no 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes



UJC participa do ENECS e do COBREFIL em Belo Horizonte

Os militantes da União da Juventude Comunista estão presentes nas atividades do Encontro Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais e do Congresso Brasileiro dos Estudantes de Filosofia divulgando e construindo o Seminário Nacional sobre Universidade Popular que ocorrerá em Porto Alegre no início de setembro de 2011.

Membro da comissão organizadora do ENECS o camarada Luis Fernando (membro da Coordenação Nacional da UJC) ressalta que "o Movimento de área deste curso encontra-se totalmente desarticulado, haja vista o fato de não possuirmos uma executiva ou federação. E superação dessa letargia vem dando-se em passos bem lentos. Entretanto, é grande a possibilidade de, nesse ENECS, ser formada uma executiva ou federação de estudantes de Ciências Sociais. Principalmente pelo fato de a localização central de Belo Horizonte favorecer a participação de escolas de diversos estados e regiões do Brasil, o que maximiza a representatividade de uma entidade nacional e, consequentemente, sua legitimidade." O Encontro acontece e uma escola da rede pública estadual em Belo Horizonte.
No COBREFIL, quarta-feira, o camarada Túlio Lopes (membro da Coordenação Geral Colegiada da UJC) fara uma apresentação sobre Movimento Estudantil abordando a temática "Concepção e método do trabalho de base no Movimento Estudantil, o evento é organizado pela ABEF.  

A militância da juventude comunista estará apresentando o SENUP durante os encontros de área realizados na capital de Minas

Confira a programação dos encontros nos blogs:


segunda-feira, 18 de julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

Seminário Nacional de Agitação e Propaganda da UJC

Data: 29, 30 e 31 de Julho de 2011;



Local: Belo Horizonte. Minas Gerais.



Temática: Agitação e Propaganda;

"Chapa-branca" ou máfia de calças curtas?

União da Juventude Comunista




As últimas semanas tem sido de imensas mobilizações e confrontos. Após um trabalho político que buscou a unidade entre segmentos como estudantes secundaristas e universitários, professores, funcionários e pais, para enraizar as solicitações entre a sociedade, todo o país debate o modelo de educação - gerado por uma ditadura militar.



A principal bandeira é o financiamento público para o ensino público, retirando assim o apoio estatal para o lucro privado dos tubarões do ensino. A luta, em sua última jornada, gerou 62 manifestantes presos e 34 policiais feridos.



Falamos do Chile, de seus estudantes e sua Federação dos Estudantes das Universidades, da luta popular.

As últimas duas décadas tem sido de inconfessáveis jogadas de gabinete, acordos espúrios e descaracterização. Após um trabalho político que visa usar uma entidade histórica como poder de barganha por cargos, verbas públicas e projeção política, muitos gabinetes foram ocupados, campanhas financiadas, parlamentares e até mesmo prefeitos eleitos para gerir desavergonhadamente a política exploratória do capital.



Falamos do Brasil, das últimas diretorias da UNE, da vergonha de se vender ao poder.



A imprensa burguesa, movida por sua moral burguesa, critica a UNE por realizar seu 52º Congresso com verbas públicas - e a isso dá o nome de "congresso chapa-branca". São muitas as matérias publicadas nos últimos dias dando conta de que Petrobras, Eletrobras, Caixa e ministérios dos Transportes, Turismo, Saúde e Educação despejaram verbas para a realização do evento.



Aliada de primeira hora da face mais crua do capitalismo no Brasil (PSDB-DEM) e difusora - como aparelho ideológico do Estado - do ideário do Estado Mínimo, identifica este financiamento com o início dos governos petistas no país - ou seja, 2003.



Pressionado por tais notícias e tentando jogar a própria imprensa em contradição, o atual presidente da entidade afirmou que a destinação de dinheiro do governo para os eventos da UNE não são novidade e nem começou no governo Lula. "O Congresso da UNE de 1989, realizado na Bahia, recebeu verbas do governo baiano, então comandado pelo PFL, atual DEM", afirmou.



Algo esclarecedor, pois um bom ouvinte - ou uma imprensa séria - ao ouvir isso teria a curiosidade de pesquisar desde quando, e até onde, vai a relação de "parceria" entre a força política que dirige a UNE e governos não necessariamente capitaneados pelo PT.



Descobriria, sem muito esforço, que o PFL, ou DEM, fez parte das últimas gestões da UNE na chapa dirigida por este grupo, que certa governadora do Maranhão (estado que tem os piores índices sociais do país, e no qual as discrepâncias de renda e condições de vida saltam aos olhos) de sobrenome sugador da coisa pública também é parceira das últimas diretorias da UNE. Verá que esta história realmente - e infelizmente - não começou em 2003.



Também saberia porque o Governo de Goiás, do tucano Marconi Perillo, despejou dinheiro no evento - como havia feito outras vezes, inclusive durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso.



Outro ponto não tocado pela imprensa é o patrocínio dado ao 52º Congresso da UNE pela pouco famosa - mas muito ativa... - Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Representantes do empresariado que comandam o intragável e ultralucrativo sistema de transportes do país, é de se deixar curioso que esta entidade tenha oferecido verbas para a realização de um congresso estudantil.



Seria falta de pureza crer que isto se dá pelas expectativas criadas de superfaturamento com a realização das obras de infra-estrutura para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, que envolvem diretamente a máquina de interesses, jogatinas e comissões gerenciadas dentro dos Ministérios dos Esportes, controlado pela mesma força política que dirige a UNE?



Novamente - e mais uma vez infelizmente - essa estória não começou agora: é filha direta de acordos com o sistema de rádios Jovem Pan para a confecção das "carteirinhas", a Fundação Roberto Marinho e as Organizações Globo para a desconstrução da História e da Memória do movimento estudantil brasileiro.



Analisados os aspectos não citados pela imprensa burguesa, é hora de fazer uma consideração: as últimas diretorias da UNE são algo bem pior que pelegas ou chapa-brancas e caminham a passos largos para o pior tipo de representação de liderança dos movimentos sociais: a pura e simples máfia.



Para nós da União da Juventude Comunista (UJC), se a política do governo federal fosse voltada aos interesses dos trabalhadores, se as empresas e órgãos públicos citados tivessem sua atuação marcadamente voltada aos interesses dos trabalhadores e se o comando político da UNE tivesse seus interesses voltados aos interesses dos estudantes, não haveria problema ou dúvida alguma sobre as causas e consequências desses patrocínios. Mas não é o caso, como demonstrou a participação do ex-presidente Lula e do ministro da educação Fernando Haddad no evento.



Convescote para troca de afagos ou apresentação de faturas?



Ao participar na quinta-feira do 52º Congresso da UNE, Lula disse ser grato "pela lealdade na adversidade". Deve ter falado dos inúmeros momentos em que a diretoria da entidade deveria mobilizar sua base para estar ao lado dos interesses de trabalhadores e estudantes mas se escondeu por fazer parte do projeto de expansão do capitalismo brasileiro do qual ele, Lula, é maior fiador político.



Capitalismo que se expressa também na área da Educação - e que leva a acordos inconfessáveis entre os tubarões do Ensino Superior privado e de péssima qualidade, as forças políticas que comandam a UNE e o MEC.



MEC, aliás, cujo titular da pasta perdeu uma ótima oportunidade de permanecer calado. Assim como o presidente da UNE, para jogar a imprensa em contradição, o ministro Fernando Haddad afirmou a seguinte pérola para afirmar que a entidade não poderia ser chamada de "chapa-branca" por receber verbas públicas:



"Você liga a televisão e vê propaganda de quem? Quem é a propaganda do futebol brasileiro? Quem é a propaganda das novelas? Para eles, é democrático. Para vocês, é chapa-branca".



A afirmação de Haddad soa como resposta ao provocante comunista Apparício Torelly, o "Barão de Itararé": "Esqueçamos a ética e nos locupletemos todos!"



Não, ministro, não concordamos com verbas públicas financiando a linha editorial das TVs privadas, quiçá de suas telenovelas. Esse dinheiro seria bem melhor aplicado no salário de nossos professores, nas bibliotecas e laboratórios de nossas escolas, na merenda de nossas crianças.



Não concordamos com a linha política que levou a presidente da UNE entre 2007 e 2009 a dizer que a entidade "não faz críticas e sim ressalvas a política do Governo Federal". Não concordamos com o fato de a UNE não ter protagonizado ao longo dos oito anos e seis meses de governo social-liberal do PT e aliados nenhuma ação, protesto ou manifestação contrária ao Governo Federal.



Mesmo quando o governo cortou verbas para a Educação, retirou direitos dos aposentados e se posicionou contra as propostas da entidade - hoje "mais realista do que o rei".



Por isso nós, da UJC, decididamente mantemos nossa posição firme de lutar, como os precursores da UNE e seu único fundador ainda vivo, Irun Sant'Anna, que nos orgulha por fincar pés nas trincheiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB), como nos mostram os companheiros chilenos. Nossa índole é de luta!



No Chile, "reunião" com governo é nas ruas. "Representante" do Ministério é a polícia



Os jovens comunistas brasileiros nos somamos de longe à luta desses estudantes, professores e pais por entendermos que sua luta também é nossa, e precisa ser implementada também no Brasil: a luta para que aumentem as verbas públicas para a educação pública, e que o estado deixe de financiar a iniciativa privada em seu assalto ao sistema de educação.



Lá, assim como cá, lutamos por uma mudança estrutural no modelo educacional e em seu sistema de financiamento, que é o subsídio ao lucro privado. Felizmente lá - e infelizmente cá - essa luta hoje mobiliza as atenções de um país, chamam à atenção da sociedade e do mundo, ocorrem nas ruas em confronto aberto contra o sistema opressor do capital e seus costumeiros verdugos, a polícia.



No Chile, a direção política das manifestações estudantis está com os camaradas da Juventude Comunista (JJCC), que usam sua influência e presença política nas Federações Estudantis para o que é justo e correto: mobilizar por transformações.



Ao que nos cabe, aqui no Brasil, com ou sem a diretoria da UNE, seguiremos nessa batalha.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Manifesto da União da Juventude Comunista ao 52° Conune.

Apresentação:

Este manifesto é fruto das diversas experiências nas lutas cotidianas estudantis por este país da União da Juventude Comunista e de estudantes que mesmo sem nenhum vínculo orgânico apóiam, criticam e constroem juntos um outro projeto de universidade e sociedade. Fundada em 1927, a UJC participou ativamente dos grandes debates e eventos de nossa história: dentre estes a própria fundação da UNE, a campanha do “Petróleo tem que ser nosso!”, a luta contra a ditadura civil-militar, a resistência ao neo liberalismo e suas conseqüências nefastas na educação,etc.

Hoje a UJC constrói o seminário nacional de universidade popular. Trata se não de criar aparelhos paralelos no seio do movimento estudantil mas reiniciarmos um movimento político na área da educação na perspectiva de uma alternativa educacional para além da lógica do capital que impera hoje nas discussões apresentadas pela maior parte do M.E e na sociedade brasileira.

Pautamos nossas considerações e nossa atuação pelo princípio da análise dialética da sociedade, o papel da educação e do movimento estudantil na luta de classes. Aqui estão expressos muitos dos nossos princípios para traçarmos nossos objetivos com luta, proposição política. Não temos ilusões, para superar nossos problemas educacionais que são estruturais é apenas através da luta pela Revolução Socialista!


Conjuntura: A crise estrutural do capitalismo e a alternativa socialista!

Na Europa, na Ásia e nas Américas, particularmente nas duas últimas décadas, o capitalismo tem massacrado os trabalhadores e os estudantes com suas políticas neoliberais homogêneas e homogeneizantes. A fórmula universal do FMI, montada sobre a redução do tamanho do estado e sobre as políticas de ajuste fiscal, impõe como centro das políticas públicas dos governos as privatizações, a entrega dos recursos naturais de povos e nações em favor dos grandes interesses privados multinacionais, o desmonte dos serviços públicos, em especial da educação e sua mercantilização, e a obsessão constante de retirar direitos e precarizar a vida dos trabalhadores e da juventude. Esta é a situação mundial vivenciada da Grécia ao México, da Finlândia ao Brasil. Através dos mecanismos da dívida dos estados e de compromissos contratuais, o Banco Mundial eleva-se como a instância operacional para a implementação global das políticas elaboradas pelas agências do FMI.

A crise econômica mundial continua a fazer estragos em vários países, como resultado do regime de economia de mercado, o qual coloca em risco a sobrevivência da espécie humana, ao desprezar as necessidades básicas dos trabalhadores e da juventude, apenas para garantir a manutenção dos enormes lucros obtidos por bancos e grandes corporações capitalistas. O recrudescimento da crise internacional do capitalismo deverá encontrar no Brasil um governo não mais disposto a liberar crédito para aumentar o consumo (na verdade, uma política de endividamento crescente da população em favor do lucro dos bancos e da cooptação das camadas populares para a ilusória sensação de melhoria das condições de vida).

O Governo Dilma, em suas primeiras ações, voltou a atender prioritariamente as vontades e necessidades dos grandes banqueiros e empresas nacionais e multinacionais, optou por um salário mínimo de R$ 545,00 (praticamente 0% de reajuste, em termos reais) e, sob os argumentos de combate ao “retorno da inflação” e ao desequilíbrio das contas públicas, cortou cerca de R$ 50 bilhões no orçamento (atingindo, como sempre, as despesas com investimentos na área social), sendo que deste valor, o equivalente a R$ 3 bilhões deixou de ser aplicado na educação, e aumentou as taxas de juros, jogando nas costas dos trabalhadores e da juventude todo o peso dos efeitos do déficit promovido pelo governo.

O que não se cortou e, pelo que tudo indica não será cortado, são os gastos com o pagamento de juros da dívida brasileira. Só no ano de 2010, o Brasil retirou cerca de 200 bilhões de reais dos cofres públicos para pagar a dívida interna, deixando de investir grande parte do PIB na melhoria das condições de vida da população. Se a economia brasileira cresceu a uma taxa recorde de 7,5% em 2010, conforme anunciado pelo IBGE, alçando o país ao posto de sétima economia do mundo, a desigualdade social aprofundou-se e o Brasil ocupa hoje a 70ª posição no ranking mundial do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano), além de permanecer na lista dos 10 países com maior índice de desigualdade social no mundo.

Lula deu continuidade à política macroeconômica da era FHC, aplicando apenas uma política compensatória mais agressiva. Dilma segue a cartilha de Lula, com a diferença de que porá o pé no freio em relação aos gastos sociais, atendendo aos ditames do mercado mundial, em que a palavra de ordem é o ajuste fiscal, política esta que só faz rebaixar ainda mais a qualidade de vida dos trabalhadores e da juventude em todo o mundo para salvar os grandes capitalistas da crise criada por eles mesmos.

O Governo Dilma já anunciou a retomada dos leilões dos campos de petróleo e de áreas de exploração no pré-sal, mantendo a política de dilapidação dos recursos naturais brasileiros, no momento em o presidente dos Estados Unidos reafirma para o mundo a intenção de recuperar a primazia dos interesses estadunidenses e de suas empresas no mercado global.

Os primeiros meses do Governo Dilma foram também demonstrativos da crescente insatisfação de diversos grupos sociais, tais como as manifestações de estudantes e de trabalhadores em protesto contra a elevação dos preços das passagens de ônibus em várias cidades do Brasil, nas quais a violência policial sempre se faz sentir. Os trabalhadores da construção civil ligados às obras do PAC também reagiram às condições de superexploração e semiescravidão impostas pelas empreiteiras – empresas multinacionais, como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e outras – muitas delas financiadoras das campanhas eleitorais do PT e de seus aliados. Mais de 80 mil trabalhadores já cruzaram os braços nas obras espalhadas pelo Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. As centrais sindicais governistas, cumprindo o papel de conciliadoras, foram chamadas a combater o ânimo dos trabalhadores para assegurar a continuidade das obras, sem mais conflitos, nas obras onde estão trabalhando mais de um milhão de operários.

Na educação presenciamos alguns debates que tem pautado o movimento estudantil. Dentre eles destacamos as bandeiras de destinação de 50% do fundo social do Pré-sal para a educação e da inclusão da emenda de que garanta o investimento de 10% do PIB em educação. Sobre a primeira é importante compreendermos que ela oculta um debate anterior e de fundamental importância que diz respeito à defesa da Petrobrás 100% estatal e pública, sob controle popular. Neste sentido é preciso denunciar a continua privatização dos poços de petróleo pela ANP (hoje dirigida por Haroldo Lima – PCdoB), através dos leilões que já atingem as reservas do pré-sal.

Com relação à bandeira de 10% do PIB na educação temos de ter a clareza que o Brasil atualmente investe apenas 2,89%, e que o Governo Federal tem como projeção atingir a meta de 7% em 2020. A luta por atingirmos os 10% não consiste somente na pressão por inclusão de emendas em um Congresso Nacional extremamente conservador e fisiológico. Este patamar nesse contexto não será alcançado e se alcançado não será cumprido. Nos limites de uma sociedade capitalista, em crise, e que tende a aprofundar a exploração e a opressão sobre os trabalhadores e a juventude, os investimentos em educação serão cada vez mais restritos e limitados. Propor investimento de 10% do PIB na educação através de emendas parlamentares, sem debater a superação deste modelo de sociedade, além de uma ingenuidade é um engodo que alguns setores tentam empurrar para a juventude no sentido de mobilizá-la a pressionar o Congresso e não o sistema como um todo. Defendemos o investimento de 10% do PIB na educação, mas compreendemos que este patamar só conseguiremos alcançar em um outro modelo de organização social, o socialismo! (Hoje o único país do mundo que investe 10% do PIB em educação é Cuba).



Bandeiras de Luta:

-Contra a criminalização dos movimentos sociais;

-Contra as Políticas de socorro ao Capital através de dinheiro público por parte dos Estados;

-Por uma Petrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores.

-Leilão é privatização! Pelo fim da ANP!

-Nenhum direito a menos; avançar em novas conquistas para os trabalhadores e a juventude em todo o mundo.

-Contra a guerra imperialista na Líbia e a complacência do governo Dilma!

-Contra a ocupação imperialista no Iraque e no Afeganistão.

-Contra a ocupação militar Israelense na Palestina. Pela Autodeterminação e Soberania do Povo

Palestino;

-Solidariedade aos povos e juventudes em luta contra o Imperialismo e o Capital em todo o mundo;

• Solidariedade com a Revolução Socialista Cubana, contra o nefasto bloqueio imperialista;

-Pela libertação imediata dos 5 heróis cubanos;

• Apoio e fomento a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA);

-Solidariedade a todas as organizações em luta contra o governo narco-terrorista Colombiano!

- Oposição independente ao governo Dilma!

Educação

Há séculos a classe trabalhadora é explorada, oprimida e bombardeada pela hegemonia burguesa. Educada para agir e pensar conforme os padrões da ordem estabelecida, de maneira maniqueísta e conformada com a realidade que a cerca; a realidade do trabalho assalariado, não se esclarece sobre o domínio do Capital, que tem forjado expressões políticas empenhadas em manter as relações sociais de subordinação do trabalho. Desta maneira, a formação intelectual e a técnica estão predominantemente vinculadas aos interesses da classe dominante, disciplinando e submetendo o trabalhador desde os primeiros anos, no núcleo familiar e escolar às regras de comportamento.

O surgimento da escola para o proletariado é concomitante com o surgimento da indústria e podemos ver hoje que esta relação de formação e instrução para o trabalho se mantém, porém, transformada conforme a necessidade de formação técnico/ científica da força de trabalho para o capitalismo contemporâneo.

Diante deste contexto de formação em massa para o trabalho assalariado, vemos efetivamente desde 2007 a precarização das condições de ensino e trabalho universitários através de medidas do governo como o REUNI, o PROUNI e o crescente aumento dos institutos técnicos federais. Estas medidas são, inclusive, a continuidade da subordinação do estado Brasileiro ao capital internacional que intervém na educação desde a base. Vemos uma metodologia de educação norte-americana sendo aplicada sem nenhum escrúpulo. Assim, temos um quadro de horrores para e educação.

Universidades criam cursos sem a devida estrutura (salas de aula, professores e técnicos administrativos); cursos interdisciplinares que, em três anos, formam profissionais que sabem de tudo - mas não vão além da superficialidade, como nos prova o REUNI e a educação pública; e, para contrabalancear o PROUNI, no setor privado, garantindo lucros aos empresários da educação com o apoio do Programa de Financiamento Estudantil, conhecido como FIES, um braço do estado fortalecendo o mercado da educação e deteriorando o ensino público.Desta forma, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PED) está longe de sanar os problemas reais da sociedade, resolvendo apenas a formação técnica de força de trabalho para as empresas, além de financiar pesquisas nas mais diversas áreas voltadas aos interesses da iniciativa privada.

Nós, jovens comunistas, não somos contra e ampliação do acesso à Universidade, muito pelo contrário, defendemos o acesso e a permanência na universidade para todos que necessitam.Neste sentido, defendemos uma educação que não fragmente os conteúdos da realidade, que articule as necessidades concretas da população com o ensino, a pesquisa e as ações, em que todo o conhecimento acumulado e desenvolvido seja socializado por meio de ações em conjunto com a sociedade. Uma universidade na qual a ciência e a técnica estejam a serviço das reais necessidades da população, seja na saúde, engenharias ou humanas.

Espaço que promova a educação múltipla, percorrendo todos os aspectos da capacidade humana, fortalecendo o trabalho coletivo para o coletivo primando pela formação mental, emocional e física, pois, relacionam-se para a construção de seres coletivos que com as suas potencialidades estimuladas e caminhando conforme as necessidades sociais e suas habilidades pessoais constroem o novo. Universidade que parta das demandas reais do desenvolvimento pleno humano, a qual tentaremos apresentar a seguir.

A construção da Universidade Popular!

O debate sobre a educação no Brasil nos remete à discussão sobre que universidade nós necessitamos de acordo as demandas da maioria da população,os trabalhadores. Para a União da Juventude Comunista, é impossível dissociar a luta por uma sociedade mais justa e fraterna da luta por uma universidade popular. Cabe aos movimentos sociais e em especial àqueles ligados à educação debruçar-se sobre esse tema e apontar uma alternativa estratégica ao modelo elitista atual.

A construção da Universidade Popular passa necessariamente pela reafirmação do seu caráter público e a luta intransigente contra qualquer medida que busque torná-la privada. Uma universidade que tenha como princípio o ensino crítico, com práticas educativas que rompem com o modelo pedagógico atual e coloque a educação como instrumento de emancipação das classes subalternas.

Neste projeto a ciência e tecnologia devem voltar se para as demandas reais da maioria da população e não para os interesses mercadológicos. Uma universidade com democracia interna, que tenha espaços onde docentes, trabalhadores e estudantes possam colaborar e construir conjuntamente um forte instrumento de transformação. Uma universidade que assuma o seu papel transformador da realidade, dialogando com os mais diversos movimentos sociais com o objetivo de construir novos valores na sociedade brasileira.

Hoje se faz necessário muito mais do que a disputa fratricida entre organizações estudantis de cúpula, que os estudantes brasileiros se debrucem acerca da questão do modelo de universidade ao qual defendemos e devemos disputar este projeto na sociedade. Se o movimento estudantil em articulação com os próprios trabalhadores da universidade e os demais movimentos populares não tiver como foco a construção de um projeto de universidade de viés classista e continuar em uma defesa generalista do “ público, gratuito e de qualidade” estaremos fadados a defender uma expansão universitária que se integra perfeitamente ao modelo de desenvolvimento capitalista ao qual passa o Brasil. A Universidade que se expande é excludente, e não pressupõe uma sociedade pautada na distribuição de riquezas, mas sim em diplomas pra muitos, e ciência de ponta para poucos grupos econômicos privilegiados.

A luta pela universidade popular é plural e ampla por isso atuamos das formas mais diversas possíveis. Problematizar o acesso, rejeitando este tipo de vestibular que favorece em termos gerais quem possui dinheiro. Lutar por democracia, boas condições de permanência. Problematizar o ensino, através da participação ativa nos espaços universitários onde se discuta o conteúdo pedagógico e onde se discuta a criação de novos cursos, buscando sempre cursos que gerem massa crítica e que se orientam para demandas populares.

Sem dúvida, a pesquisa e a extensão constituem o caminho mais próximo para este tipo de disputa. A extensão é um mecanismo para levar a Universidade ao povo, e trazer o povo para dentro dela, rompendo a lógica de divórcio entre a universidade brasileira e a sociedade que a alimenta há décadas.

Propostas para Universidade Popular

Hoje o projeto de universidade que se apresenta como demanda da esquerda é o de Universidade Popular, e sua construção depende de uma clara consciência de como dialogar este projeto com a realidade concreta.

Tratemos ponto a ponto:

1- Ensino: Como é possível perceber o ensino na universidade hoje vem perdendo seu caráter metodológico, em menor ou maior grau. Não mais serve a formação de pessoas críticas capazes de realizar por conta própria o estudo e análise da realidade. Não mais se formam cientistas. Para a construção da Universidade Popular devemos ter em mente o ensino metodológico. Apenas um ensino de tal modo pode ao mesmo tempo preparar aqueles que o cursam para o mundo do trabalho ao passo que permita uma formação crítica. Sem tal curso metodológico, fica impossível uma inserção crítica no mundo do trabalho e até mesmo impossibilita que os indivíduos formados possam suprir as demandas sociais, uma vez que estas mudam conforme mudem os problemas centrais da comunidade. Para isso é imprescindível que a formação de professores e cientistas seja indissociável.

2- Pesquisa: A pesquisa na universidade não pode ser pautada, como hoje cada vez mais se torna pela taxa de lucro de alguns indivíduos e grupos empresariais. A Pesquisa de Base é fundamental para que desenvolva a ciência no país. E mesmo a pesquisa aplicada deve tomar um caráter diferente do que toma hoje. A pesquisa aplicada não pode ser voltada para demandas do mercado, isto é, não deve ser para o que é mais lucrativo. A universidade deve ter como lógica de pesquisa o que se demonstra como demanda popular. São os problemas da população, sejam eles de ordens médicas, culturais ou no âmbito do urbanismo, que devem ser solucionados. Deve-se também evitar o puro utilitarismo, isto é, o conhecimento produzido não deve ser pautado apenas pelas suas utilidades imediatas, mas pela demanda popular, e também acadêmica, que pode detectar a necessidade do estudo em determinada área. Nesse sentido, é fundamental que os alunos estejam engajados em tais produções, sempre cientes da produção científica e das demandas populares. Deve-se dizer que a produção de conhecimento é para a universidade popular uma função fundamental a ser garantida.

3- Extensão: A extensão não é como é tratado hoje, um mero apêndice da universidade. A extensão é um ponto fundamental para o funcionamento de uma Universidade Popular. Não por levar à população o que é produzido na universidade, mas sim o inverso: é justamente na extensão onde, em uma realidade em que os trabalhadores não estão organizados politicamente, a comunidade universitária poderá absorver as demandas populares, para o redirecionamento da produção acadêmica, fechando o ciclo. Não trata a extensão da produção de livros didáticos, mas sim da verdadeira integração entre a construção destes junto a um diálogo com as escolas públicas. Não é apenas a oferta de atendimento médico e garantia do espaço de estudo para futuros médicos, no Hospital Universitário, mas a utilização destes hospitais para o mapeamento de doenças mais comuns e de centrar então na prevenção destas. É na extensão que poderemos avaliar, por exemplo, qual é o meio de produção de energia mais eficaz para a realidade brasileira, levando em conta a organização urbana brasileira, as aplicações de projetos de produção e aproveitamento de energia de cada bairro. Nesse sentido, fica dada a unidade entre ensino-pesquisa-extensão que pautamos: é o curso metodológico voltado para as demandas populares, seja no caráter do ensino, da pesquisa ou extensão. É o desenvolvimento do ser humano pleno científico e consciente, capaz de intervir no mundo do trabalho e na sociedade que este gera, levando em conta não o mercado, mas as necessidades concretas do estado e do país. É a unidade que se realiza no fechamento do ciclo de conhecimento como um conhecimento social.

Bandeiras de Luta:

• EM DEFESA DE UMA UNIVERSIDADE POPULAR, PUBLICA, GRATUITA, DE QUALIDADE e LAICA.

• POR UMA REFORMA UNIVERSITARIA PAUTADA NO PLANO NACIONAL DE EDUCACAO ELABORADO PELO MOVIMENTOS SOCIAIS.

• PELA UNIVERSALIZACAO DO ACESSO DO ENSINO SUPERIOR VIABILIZADO PELA EXPANSAO DO ENSINO PUBLICO.

• PELA REGULAMENTACAO DO ENSINO PRIVADO DE ACORDO COM AS DEMANDAS SOCIAIS.

• CONTRA AS FUNDACOES PRIVADAS NAS UNIVERSIDADES E HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS .

- DINHEIRO PÚBLICO SÓ PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA

• Contra a entrada do capital estrangeiro no ensino superior

• Contra o PROUNI! PELA TRANSFERENCIA DE TODOS OS BOLSISTAS PARA AS

UNIVERSIDADE PUBLICAS.

• Por eleições diretas para reitor nas publicas e pagas!

• Pela participação dos estudantes, técnicos-administrativos e professores na formação de

Conselhos Universitários nas IPES!

• Pela livre organização dos estudantes e dos trabalhadores nas IPES!

-Contra os Cursos pagos na universidade pública!

• Boicote ao ENADE! Por uma avaliação externa e interna no processo de ensino!

• Por um Plano Nacional de Assistência Estudantil nas universidades, construído pelos estudantes!

• CONTRA QUALQUER AUMENTO DE MENSALIDADE NAS IPES.

• Pela garantia de condições de aprendizado profissional e ampliação de direitos para os estagiários


O papel do Movimento estudantil

A UJC conta hoje com presença militante em diversas universidades pelo país tanto públicas como privadas.Muitos deles presentes neste 52° Conune, somos críticos ao atual processo de tiragem de delegados ao Congresso da UNE as eleições são imperadas pela lógica das eleições diretas, a maioria destas eleições ocorrem de forma despolitizada em um ambiente propício aos acordões entre as chapas (através de negociações das forças políticas na Comissão Nacional de Credenciamento e Organização, fraudes e especulações).

Para além da disputa de delegados e cargos na UNE, queremos debater com conjunto dos estudantes e do movimento estudantil organizado a importância da unidade de ação do Movimento estudantil com o movimento sindical, popular e social ao combater aos ataques nas políticas educacionais do governo Dilma e a disputa de um outro projeto através de uma frente política com partidos,movimentos sociais, indivíduos com caráter anticapitalista e antiimperialista.

Os congressos dos estudantes universitários nos possibilitam e nos apresentam o desafio e discutir a universidade que precisamos e como o movimento estudantil deve se organizar para atingir seus objetivos. A UJC constrói o movimento nacional pela UNIVERSIDADE POPULAR que tem como perspectiva a construção de uma universidade; onde o ensino, a pesquisa e extensão estejam voltados para a superação dos principais problemas sociais que afligem as classes populares, ao nos contrapormos a mercantilização da vida causada pelo capitalismo nesta fase histórica.

Infelizmente, com chegada de Lula a presidência da república, a UNE vem apoiando incondicionalmente o Governo Federal em detrimento do apoio as mobilizações e lutas dos estudantes. O Governo do PT fez uma opção pela governabilidade conservadora, em detrimento da mobilização popular, o que fez com que o governo capitulasse frente aos interesses do grande capital tornando-se refém do jogo parlamentar, especialmente da aliança com setores da direita.Sem dúvida, hoje a UNE está amoldada à defesa desta lógica dominante, atrelada ao governo federal, ao jogo da pequena política de cúpulas. Com um histórico repleto de identificação com as causas populares, a UNE de nossos tempos mais contribui para a desorganização e despolitização dos estudantes. Prova disso é o debate meramente técnico e institucional sobre a aplicação de recursos do PIB para educação, sem apresentar nenhum projeto alternativo de educação no seu todo, sem ousar e muito menos recuperar a tradição progressista e crítica desta entidade.

Acreditamos que a construção da UNE de volta para a luta e em sintonia com as verdadeiras questões da sociedade brasileira não se concretiza pela mera disputa de cargos na entidade nem muito menos criando entidades paralelas, como o caso da anel. O debate sobre os rumos da UNE não é um debate sobre aparelhos e disputas residuais de cúpula, mas se implica na construção de um movimento político pela base- uma reconstrução do movimento estudantil brasileiro de fato- tendo como uma das pautas a necessidade de se construir um projeto educacional para além da lógica do capital e do imperialismo.

A UJC compreende a importância da organização do movimento estudantil a nível nacional e suas entidades. Os espaços unitários de discussão, organização e luta dos estudantes, como os congressos estudantis, o fórum de executivas e federações de curso, Conselhos de CA´s e DA´s, são importantes pois aglutinam as diversas expressões políticas do movimento estudantil organizado. Constituídos historicamente estes espaços devem ser ampliados e fortalecidos, favorecendo a luta dos estudantes por suas demandas, reivindicações e conquistas.

O campo cultural do ME deve ser pensado considerando o seu caráter aglutinador e como forma de expressão de diversas idéias. Devemos trabalhar com as artes sem esquecer que elas também se inserem na disputa pela hegemonia política e cultural existente na universidade e na sociedade em geral. Assim, buscamos envolver essa produção nas lutas populares sem, no entanto, desenvolver uma prática utilitarista das artes e respeitando as mais diversas técnicas e expressões. Por isso, entendemos que a Bienal de Arte e Cultura da UNE deva ser um espaço de politização e discussão de cultura. As últimas bienais mostraram não possuir esse caráter, ignorando temas centrais num debate de cultura, como a influência da indústria cultural. Apoiamos iniciativas como os CUCA’s, apesar de dentro desses espaços manter-se a mesma política que vemos em outros espaços da UNE. Mas propomos o resgate do legado dos CPC’s da UNE dos anos 60, para a formulação de novas experiências neste terreno pouco desenvolvido pelo ME de hoje.

É com estas constatações que a UJC juntamente com outros coletivos e organizações de esquerda, se esforça na construção de um outro projeto de universidade e sociabilidade na perspectiva do comunismo. Conclamamos a todos os estudantes a discutirem esta perspectiva através do SEMINÁRIO NACIONAL DE UNIVERSIDADE POPULAR a ser realizado em Porto Alegre nos dias 2,3 e 4 de setembro. Seminário que vai além do próprio isolamento do movimento estudantil, mas que se propõe a efetivar a articulação entre estudante, trabalhadores da universidade e movimentos populares a discutirem sobre a luta anticapitalista na educação através da construção do projeto de UNIVERSIDADE POPULAR.


Bandeiras:

-Todos ao I Seminário Nacional de Universidade Popular nos dias 2,3 e 4 de Setembro em Porto Alegre!

-Oposição e independência da UNE frente ao governo Dilma

- Pela reconstrução das UEE’s;

• Pela realização de CONEB’s anuais;

• Pela realização de CONEG’s bienais;

• Pela realização de debates sobre as lutas estudantis na América Latina e no Caribe, em conjunto com a OCLAE, com o objetivo de divulgar e debater a situação dos estudantes na região!

-Pela reconstrução do movimento estudantil brasileiro!




VENHA QUE A CAUSA TAMBÉM É SUA
 (ENTRE EM CONTATO COM A UJC, VENHA CONSRUIR O AMANHÃ LUTANDO HOJE)

021-2509-2056


www.ujc.org.br

sábado, 2 de julho de 2011

Todo apoio à luta dos/as Trabalhadores/as das Universidades Brasileiras

Em nota pública, desejamos aqui manifestar nosso apoio ao movimento grevista dos trabalhadores das Universidades Públicas no Brasil e, em especial, na Universidade Federal de Goiás.


A greve é a principal arma do trabalhador contra o patrão. É com o movimento paredista que o trabalhador deixa de ser um mero inconformado e passa a ser a mola da transformação social no país.

Sob a tutela dos grandes capitalistas, que comandam o Estado Brasileiro, ditando todas as ações do governo Dilma, a Universidade Pública brasileira sofre ataques constantes. Há um estrondoso apoio às universidades privadas e o sucateamento das universidades públicas.

A UJC defende uma universidade popular, isto é, uma universidade que esteja comprometida não com os interesses dos grandes monopólios, mas voltada para as necessidades dos trabalhadores.

A construção dessa nova universidade passa necessariamente pela valorização de todos os trabalhadores da educação. E por isso, junto com vocês, trabalhadores da educação, exigimos:

1. Apresentação de recursos orçamentários para serem alocados no piso da Tabela Salarial para 2011 ou 2012;

2. Propostas que resolvam a questão do VBC e reposicionamento de aposentados, com ampliação de direitos para 2011;

3. Avanços nas propostas que possibilitem resolução sobre a racionalização de cargos, ainda em 2011;

4. Resolução do Anexo IV, com ampliação de percentual horizontal para todas as classes e reajuste dos benefícios, a partir de 2011.

1. Extensão das 30 horas semanais para todos na UFG;

2. Não implantação do ponto eletrônico no HC/UFG;

3. Estabelecer com os(as) Trabalhadores(as) do HC os critérios de distribuição da Gratificação do Adicional de Plantão Hospitalar (APH);

4. Por melhores condições de trabalho: mapeamento dos locais de risco e melhoria das condições em locais insalubres; ampliação do quantitativo de pessoal na Comissão de Insalubridade;

5. Saúde do trabalhador com realização de exames periódicos e adoção de medidas preventivas;

6. Cumprimento do Mandado de Injunção que garante a aposentadoria especial para os filiados do Sindicato.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Espanha

UJC participa da Reunião Regional da FMJD em Havana - Cuba

A UJC participou no domingo passado da Reunião Regional da Federação Mundial das Juventudes Democráticas em Havana, Cuba. O camarada Otávio Dutra membro do Núcleo da UJC em Cuba foi o reprensentante da organização na reunião. A próxima Assembléia Geral da FMJD se realizará em Lisboa - Portugal no mês de Setembro de 2011.



Congresso da UEE-MG



A União da Juventude Comunista participará nos dias 23 a 26 de junho do Congresso da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais. A UJC esta construindo o Movimento Universidade Popular com lideranças estudantis e estudantes independentes que se identificam com as propostas apresentadas pela Juventude Comunista.

Elegemos delegados na UFMG, PUC-Coração Eucarístico e UEMG-BH e estamos nos preparando para uma boa participação política no Congresso da UEE-MG.


O congresso ocorrerá em Divinópolis e estamos nos preparando para garantir a presença da militância da juventude comunista e dos estudantes universitários ligados ao nosso movimento.

No último congresso a UJC através da Tese A HORA É ESSA! garantiu uma importante vitória para o movimento estudantil universitário de Minas Gerais a realização do Conselho Estadual de Entidades de Base de caráter estatuinte.

Três chapas se configuram para o Congresso:

Os setores ligados ao Governo Federal articulam uma chapa que esta sendo formada pela Juventude do PT, do PCdoB e do PMDB. Este campo político forma hoje a direção majoritária da entidade.

No campo da oposição moderada se encontram a Juventude Socialista do PDT e a Juventude Rebelião. No tocante ao debate de conjuntura nacional ambos apoiaram decididamente a eleição de Dilma desde o primeiro turno contribuindo para que a UEE-MG ficasse submissa a campanha presidencial do PT. A JS do PDT por sua vez defende e participa do Governo Anastasia e apoiou o Governo Aécio. Em que pese as contradições deste campo político serão aliados táticos em algumas votações importantes.

A União da Juventude Comunista impulsionará a formação de uma Chapa de Oposição Independente com coletivos e estudantes que buscam no dia a dia do movimento estudantil construir uma nova perspectiva para as entidades gerais dos estudantes pautada entre outras coisas na autonomia do movimento estudantil em relação aos governos e reitorias, no debate sobre Universidade Popular e na defesa do poder das entidades de base. A Juventude do PSOL e outros coletivos independentes já sinalizaram positivamente para a contrução desta chapa.

Desde a reconstrução da UEE-MG a UJC se fez presente nos fóruns da entidade. No Conselho Estadual de Entidades de Base do ano passado apresentamos uma proposta de reorganização do movimento estudantil universitário de Minas Gerais e da Entidade Estadual pautada na construção do Movimento Estudantil pela base.

Outra questão importante que a UJC apresentará no Congresso da UEE-MG é a campanha "O Minério tem que ser nosso!" que reune partidos de esquerda, mandatos parlamentares, sindicalistas e ambientalistas para que o povo trabalhador tenha acesso as riquezas advindas da mineração e que esta atividade econômica possa ser realizada respeitando o meio ambiente.


Maiores informações:
31-32016478

terça-feira, 7 de junho de 2011

Chapa com participação da UJC/PCB vence eleição para o DCE da UFF

Rio de Janeiro

Em uma eleição extremamente polarizada, a chapa "Cante a Primavera" composta por militantes do PSOL, da UJC/PCB e independentes contabilizou mais de 44% dos votos, vencendo as eleições para o Diretório Central dos Estudantes, em segundo lugar ficou a Chapa 3 "Reinventar" (UJS,PT e PMDB), com um pouco mais de 37 % dos votos. As chapas 2 (ANEL) e 5 (LSR) ficaram empatadas tecnicamente com cerca de 7 % da votação e, em último lugar, ficou a chapa 3 (PT socialista) com 3%.

Polarizou a eleição o debate defensivo sobre o caráter público da universidade e a independência do DCE em relação à reitoria e a governos. Nas palavras do estudante Elton J. da Silva, militante da UJC/PCB, “é visível o crescimento de setores conservadores e governistas na universidade, muito em função da aliança com grupos de interesse privado (cursos pagos) e com a reitoria”. Elton espera que o DCE, nesta próxima gestão, qualifique os debates e defenda a independência do movimento estudantil: “Para nós, esta gestão pode e deve representar uma contraofensiva ideológica aos ataques governistas e privatistas pelos quais a universidade vem passando, uma contra ofensiva que construa projetos alternativos às demandas dos estudantes e das classes populares,ou seja, a construção do movimento pela universidade popular na UFF!”

Fonte: UJC

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Setembro de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

Estudantes sofrem ataque indiscriminado da polícia

No último sábado (27), cerca de 120 jovens, que se encontravam em um lugar conhecido por ser um local de entretenimento dos estudantes, sofreram um ataque indiscriminado por parte da polícia do Departamento de Cauca, na cidade de Popayán (Colômbia). O informe policial, ao qual teve acesso um familiar de uma estudante detida, narra como se, segundo os policiais, as pessoas reunidas estivessem celebrando o aniversário das FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo), motivo pelo qual se fazia necessária a dispersão deles do local. A ação terminou com vinte cidadãos feridos.
O fato começou próximo das dez horas da noite, quando dois policiais chegaram ao lugar. Eles pediam a dispersão dos estudantes, em sua maioria da Universidade de Cauca. Diante da passividade deles, os uniformizados pediram apoio com seus rádios de comunicação. Minutos depois chegaram várias patrulhas motorizadas e iniciaram uma ação violenta, realizando golpes com objetos contundentes contra as pessoas. Foram utilizados gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, disparos com balas de borracha e armas de fogo e pedras.
A ação violenta das forças do Estado Colombiano, que teve uma duração aproximada de 30 minutos, afetou, além dos estudantes, os residentes do bairro Caldas, onde ocorreu o ataque. Os moradores viram-se obrigados a sair de suas casas com crianças que estavam asfixiando pelo efeito dos gases lacrimogêneos. Os estudantes, por sua vez, além dos golpes, foram chamados de guerrilheiros, terroristas e ameaçados de morte. Vários estudantes ficaram com lesões no rosto e na cabeça por objetos contundentes e hematomas nas extremidades inferiores.
A estudante detida foi Lina María Burbano que andava sozinha até a Faculdade da Educação, quando foi abordada por um grupo de policiais e levada para uma Unidade de Reação Imediata (IRA), onde foi privada de sua liberdade por aproximadamente 13 horas. A denúncia policial pretende atribuir a ela a responsabilidade por lesões pessoais e violência contra servidor público.
Diante disso, a nota da Rede de Direitos Humanos do Sul Ocidente Colombiano "Francisco Isaías Cifuentes” responsabiliza o Estado Colombiano, o Governo do Departamento de Cauca e o coronel Carlos Ernesto Rodríguez, comandante do Comando de Polícia Cauca, por essas violações ao Direito Internacional dos Direitos Humanos.
Eles exigem também ao Escritório do Alto Comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH, sigla em espanhol) "o cumprimento de seus mandatos como observadores para que o estado colombiano cumpra com suas obrigações constitucionais e com relação aos direitos humanos”. Solicitam, portanto, que se iniciem investigações para que se busquem as normas internas e externas as quais o estado colombiano se comprometeu a respeitar, mas não está cumprindo.
Aos entes governamentais responsabilizados, a Rede de Direitos Humanos pede que se desenvolvam as ações legais necessárias para determinar as responsabilidades coletivas e individuais pelas violações. Além disso, que sejam tomadas as medidas necessárias para garantir os direitos essenciais dos "habitantes do município de Popayán que estão sendo afetados pela ação arbitrária das forças regulares” da Colômbia.

domingo, 29 de maio de 2011

ATO DE SOLIDARIEDADE

O PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE
E O COMITÊ DE SOLIDARIEDADE À
LUTA DO POVO PALESTINO CONVIDAM
ATO/DEBATE

Em apoio à luta do povo palestino e em solidariedade ao
Partido Comunista Brasileiro – PCB,
ante os recentes ataques das organizações sionistas internacionais 



CONVIDADOS
Milton Temer – Partido Socialismo e Liberdade
Maristela dos Santos - Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino
Moheeb – Professor de Economia da Universidade de Haifa
e militante da Organização Filhos da Terra

Segunda-feira, 30 de maio de 2011 às 18h30min.
SENGE – Avenida Rio Branco, Nº 277/17º andar.
Cinelândia – Rio de Janeiro  RJ

sábado, 28 de maio de 2011

ESPANHA: A REBELIÃO DA JUVENTUDE





Alan Woods 



Neste artigo, Alan Woods analisa os atuais acontecimentos na Espanha a partir do contexto da crise global do capitalismo e como continuidade de suas análises que já previam o que se desenvolve hoje no velho continente.
 


Primeiro foi Túnis, depois o Cairo. Em seguida Wisconsin e, agora, a Espanha. A crise do capitalismo desencadeou um tsunami impossível de ser controlado. Todos os representantes da velha ordem se juntaram para detê-la: os políticos e os policiais; os juízes e os burocratas sindicais; a imprensa mercenária e a televisão; os padres e os “intelectuais”. Mas o tsunami de revoltas rolou de um país a outro, de um continente a outro.






A falência do capitalismo espanhol

As eleições locais e regionais na Espanha, neste fim de semana, acontecem em um momento em que a crise econômica, social e política cada vez mais se aprofunda. Por dez anos, a economia espanhola foi apresentada como uma fonte de criação de empregos na zona do euro. Ao crescimento frenético e especulativo se seguiu uma queda grave. A Espanha encontra-se agora à beira da falência. Os economistas estão alertando sobre níveis de dívida mais altos que os anteriormente divulgados. E, após o colapso na Grécia, na Irlanda e em Portugal, o “mercado” está voltando sua atenção para a Espanha.

O capitalismo espanhol subiu como um foguete e caiu como uma pedra. O colapso do boom da construção civil deixou a Espanha com uma ressaca dolorosa de preços de casas caindo, dívidas enormes, um milhão de casas vazias e a maior taxa de desemprego na União Europeia. As filas de desempregados na Espanha subiram para cerca de 4,9 milhões. Com um desemprego na casa dos 21%, a insatisfação foi crescendo. O descontentamento se reflete no ceticismo em relação a todos os principais partidos políticos, o que, dada a sua atuação, não deve surpreender ninguém.

Na Espanha, existem dois partidos principais: o PP [Partido Popular], de direita; e o PSOE [Partido Socialista Operário Espanhol], “socialista”. O primeiro é composto pelos representantes mais conhecidos do Capital, é o partido dos banqueiros e dos capitalistas. Sabemos muito bem o que esperar deste partido. O PSOE é supostamente o representante dos interesses da classe trabalhadora. Mas, será que é mesmo? Milhões de trabalhadores votaram nesse partido com a esperança de que iria defender seus padrões de vida. Mas estas esperanças foram cruelmente defraudadas.

O líder do Partido Socialista, José Luis Rodriguez Zapatero, era considerado de “esquerda”. Mas, sob as condições da crise capitalista, há apenas duas alternativas: ou tomar medidas para quebrar o poder dos banqueiros e dos capitalistas ou, então, aceitar os ditames do grande Capital e atacar os padrões de vida dos trabalhadores. Não há terceira via, como Zapatero logo descobriu. Os líderes do PSOE se renderam aos banqueiros e aos capitalistas, como todos os reformistas têm feito em qualquer outro país.

Usando a desculpa da crise econômica (ou seja, da crise do sistema capitalista), os líderes do PSOE deram as mãos à burguesia para salvar o sistema. Estão tentando colocar todo o peso da crise sobre os ombros daqueles menos capazes de suportá-lo: os trabalhadores, os jovens, os velhos, os doentes, os desempregados. Derramam milhões nos bolsos dos banqueiros, ao atacarem os padrões de vida e as aposentadorias e pensões. 89% dos espanhóis consideram que os partidos políticos só se preocupam com eles mesmos, de acordo com uma pesquisa do instituto Metroscopia. Portanto, não é de admirar que as pessoas se afastem dos partidos políticos quando veem este tipo de coisa.

Os socialdemocratas sempre prepararam o caminho para a reação de direita. Este é o seu papel. As pesquisas de opinião já indicam que o PSOE poderia perder para o direitista Partido Popular (PP) em pelo menos uma região chave. Mesmo a Andaluzia, que sempre foi governada pelos socialistas, poderia cair nas mãos da direita. Este seria o cenário aberto para a derrota nas eleições gerais do próximo ano, entregando o governo ao Partido Popular, o representante do grande negócio capitalista.

Isto é o mesmo que saltar da frigideira ao fogo. Se o PP obtiver maioria, vai introduzir cortes ainda maiores. Eles dirão: “Você pensava que havia muita dívida, mas não, não há mais”. Já vimos isto na Catalunha, onde as eleições regionais do último ano varreram o governo de coligação liderado pelos socialistas, e onde o novo governo da CiU [Convergência e União – Coalizão de dois partidos regionais catalães] introduziu um pacote vicioso de cortes na assistência à saúde e à educação e ataques às condições de vida, que provocaram uma onda de greves selvagens e uma manifestação sindical de 200 mil pessoas em Barcelona.


Sentimento de decepção 

Os líderes dos tradicionais partidos dos trabalhadores estão completamente enredados com os capitalistas e seu Estado. É intolerável que estes líderes, que falam em nome do socialismo e da classe trabalhadora, ou, até mesmo da “democracia”, presidam enormes resgates aos bancos privados, o que significa um grande aumento na dívida pública, que será paga por anos de cortes e austeridade. Tudo isto é feito em nome do “interesse geral”, mas, na realidade, é uma medida no interesse dos ricos e contra os interesses da maioria.

Nestas condições, a classe trabalhadora sempre procura os sindicatos para liderá-la. Sob a pressão da base, os líderes da UGT [União Geral dos Trabalhadores – uma das centrais sindicais espanholas] e CCOO [Comissões Obreiras – união sindical comunista] apelaram por uma greve geral em 29 de setembro do último ano. Mas os dirigentes sindicais estavam desesperados por fazer um acordo com o governo e viam a greve geral somente como um meio de pressão sobre Zapatero, para obter algumas concessões. Eles pensam que podem conseguir o que querem através da negociação.

Para os dirigentes, este é apenas um meio de dissipar a pressão do vapor na caldeira. Para os sindicalistas sérios, ao contrário, as greves e as manifestações são o meio de se conseguir que os trabalhadores conheçam o seu poder e preparem o terreno para uma mudança fundamental na sociedade. Embora se considerem como pessoas práticas e realistas, os dirigentes sindicais não têm a menor ideia da gravidade da crise do capitalismo. Imaginam que, ao aceitar cortes e outros tributos, tudo vai dar certo no final. Esta é uma ilusão. Para cada passo dado atrás, como eles fazem, os patrões vão exigir mais três.

Na realidade, os líderes sindicais simplesmente perderam contato com o sentimento de raiva dos trabalhadores e jovens, da mesma forma que os líderes dos partidos políticos. Tendo convocado uma greve geral, logo concordaram com uma “reforma” previdenciária completamente insatisfatória do ponto de vista da classe trabalhadora. Isto levou a uma onda de decepção, que reforçou ainda mais o sentimento de frustração, alienação e descontentamento.

Enquanto se desenvolve a luta de classes, a radicalização das fileiras dos sindicatos entrará, sem dúvidas, em conflito com o conservadorismo de sua liderança. Os trabalhadores exigirão uma transformação completa dos sindicatos do topo à base, e lutarão para transformá-los em verdadeiras organizações de luta. Mas, no momento, os sindicatos estão aquém das necessidades dos trabalhadores e da juventude. Elena Ortega, que conseguiu encontrar apenas um emprego por tempo parcial de secretária, e ajudou a espalhar a convocação através do Facebook dos protestos na quarta-feira, disse à CNN: “Se isto está acontecendo, é porque os sindicatos não estavam fazendo o que era necessário, quando era necessário. Eles não se pronunciaram”.

Esse sentimento é mais intenso entre os jovens, que, como sempre, são as principais vítimas da crise. O número de jovens desempregados está em torno de 45%. Muitos universitários graduados, tendo trabalhado duro para obter qualificação, não podem encontrar emprego, e então são obrigados a aceitar empregos braçais por baixos salários. Os níveis de emprego “precário”, ou seja, casual, por tempo parcial, ou por contratos curtos de trabalho sem nenhum direito, são os mais elevados de todos os tempos na Espanha.

Esta situação não é muito diferente da enfrentada pelos jovens em lugares como a Tunísia e o Egito. No entanto, a Espanha não é um país do chamado Terceiro Mundo, mas uma economia europeia desenvolvida e próspera. Esta flagrante contradição tem produzido um sentimento de raiva, frustração e amargura na juventude, que não encontra qualquer reflexo nos partidos existentes ou nos sindicatos.

O descontentamento e a frustração acabaram por rebentar à superfície. No domingo, 15 de maio, mais de 150 mil pessoas marcharam em cerca de 40 cidades em toda a Espanha, sob a bandeira de Democracia real já. A maior manifestação foi em Madri, com mais de 25 mil pessoas, seguida pela de Barcelona, com 15 mil. A principal palavra de ordem da manifestação foi: “Não somos mercadorias nas mãos de banqueiros e políticos”, o que revela o caráter instintivamente anticapitalista do movimento.

Políticos e comentaristas especialistas repudiaram este movimento como “não tendo objetivos claros”, ou até mesmo por “estar aberto à manipulação da direita”. A verdade é que a esmagadora maioria das pessoas presentes nas manifestações de 15 de maio considerava-se como progressistas e de esquerda. As palavras de ordem sobre a falta de moradias, a falta de empregos, a falta de futuro, a falta de uma verdadeira democracia, a ditadura dos mercados, contra a corrupção dos políticos e seus salários obscenos, sobre a força do povo organizado, mostra isto claramente.

Enquanto muitos foram tomados de surpresa pelas manifestações de 15 de maio, na verdade elas foram precedidas por uma série de mobilizações que mostraram a crescente pressão sob a superfície. Em janeiro e fevereiro, demonstrações de massas de funcionários públicos abalaram Murcia, onde o governo regional de direita, do PP, tem realizado uma política de cortes particularmente ultrajante. Na mesma região, os ativistas organizaram uma resistência eficaz aos despejos de famílias inadimplentes no reembolso de suas hipotecas. Em sete de abril, milhares de jovens tomaram as ruas na sequência de um apelo feito pela “Plataforma da juventude sem futuro”, uma coalizão de jovens de esquerda e grupos de estudantes.

Também está claro que a onda da revolução árabe tem sido uma inspiração para muitos na Espanha. Eles viram o poder das pessoas simples em mudar as coisas quando entram em movimento. A ideia da criação de acampamentos de tendas vem diretamente da Praça Tahir, no Cairo. Muitos também se inspiraram nos trabalhadores e nos jovens gregos em suas corajosas mobilizações por todo o último ano, no movimento de greves de massa na França e ainda no movimento da juventude em Portugal. Em um cartaz em Madri se lia: “A França e a Grécia lutam. A Espanha vence... no futebol”, mas não mais será assim. A despeito da total falta de liderança, que deveria ser oferecida pelos dirigentes das organizações oficiais, a juventude espanhola está em movimento, e ela tem a simpatia de largas camadas de trabalhadores.

Milhares protestam, desde domingo, dentro e fora da Puerta del Sol, no centro da cidade de Madri e em mais de 80 cidades e vilas por toda a Espanha. Os protestos também foram organizados por grupos de jovens espanhóis fora das embaixadas em várias capitais europeias.


Ameaça à democracia?

Estes protestos pegaram todos os políticos de surpresa. Reagiram com histeria e alarme. Os defensores da sociedade existente estão escandalizados: “isso é anarquia”, eles protestam. “Isto é o caos!” Alguns até mesmo dizem que é uma “ameaça à democracia”. Mas o que estamos vendo nas ruas de Madri e outras cidades espanholas não é nenhuma ameaça à democracia, ao contrário, é uma tentativa de exercer democracia direta: de dar voz àqueles que não têm voz, de defender os interesses daqueles que ninguém defende.

Quando eles falam de “ameaça à democracia”, o que querem dizer? Democracia no seu sentido literal significa governo do povo. Mas é verdade que o povo realmente manda na Espanha ou em qualquer outro lugar? Não, isto é falso. No âmbito da sociedade capitalista, a participação da maioria das pessoas na democracia se limita a votar a cada cinco anos ou mais por um ou outro dos partidos existentes. Uma vez eleitos, eles fazem o que querem, e as pessoas não têm meios para mudar nada.

Sob o capitalismo todas as decisões importantes são tomadas pelos conselhos de administração dos grandes bancos e monopólios. São eles que decidem se as pessoas terão empregos e casas ou não. Ninguém os elegeu e eles não são responsáveis por ninguém, além de si mesmos. A relação real entre os governos eleitos e a burguesia ficou exposta na recente crise, quando os banqueiros receberam um presente de bilhões de dinheiro público sem nenhum questionamento. Na realidade, “democracia” burguesa é apenas outra forma de se dizer ditadura do capital.

Os que protestam o fazem porque não se reconhecem em nenhum dos partidos existentes. E quem pode culpá-los? Muitos estão dizendo: para que votar se são todos iguais? Eles olham para a campanha eleitoral com uma mistura de indiferença e asco. Se isto representa uma “ameaça à democracia”, os responsáveis não são os jovens que estão protestando na Puerta del Sol, mas os que se sentam no Palacio de la Moncloa [sede da presidência do governo na Espanha].

O direito ao protesto pacífico é um direito democrático básico. Foi por esse direito que a classe trabalhadora espanhola lutou durante décadas contra a ditadura de Franco. No domingo passado, milhares de pessoas, principalmente jovens, mas também outros, foram para a Puerta del Sol, no centro de Madri, para registrar seu protesto contra um sistema que, efetivamente, os exclui. Assim fazendo, estavam exercendo esse direito básico. Como é que esta conquista democrática está sendo respeitada por aqueles que se encontram no controle de Madri e de toda a Espanha?

As pessoas que enchem a boca com a palavra “democracia” descrevem este protesto pacífico como uma “ameaça à democracia”. Na madrugada de terça-feira, 17 de maio, as autoridades de Madri enviaram a tropa de choque para dispersar um grupo relativamente pequeno de manifestantes que haviam montado um acampamento na Puerta del Sol, com a maior violência. Madri é governada pelo direitista PP. Devem, portanto, arcar com a responsabilidade direta por este ataque brutal e não provocado. Mas eles nunca teriam feito isto sem a aprovação (tácita ou aberta) do governo de Zapatero. Este coro hipócrita era de se esperar a partir da direita. Mas é vergonhoso que as pessoas que se intitulam “socialistas” e de “esquerda” deem eco a este coro venenoso.

A tática de usar os valentões não funcionou. Na noite de terça-feira, dezenas de milhares de manifestantes retornaram à praça central de Madri. Na manhã da quarta-feira, muitos permaneciam em seu acampamento noturno. Na quarta-feira à tarde, a Junta Eleitoral de Madri proibiu a manifestação prevista para as oito horas na Puerta del Sol. Um porta-voz do escritório regional disse que a Junta Eleitoral estava tentando evitar demonstrações durante os últimos dias da campanha eleitoral porque elas “poderiam afetar o direito dos cidadãos a votar livremente”. A Junta afirmou não haver “sérias e extraordinárias razões” para permitir a manifestação no curto prazo. E, para acalmar os nervos dos eleitores, El Pais [jornal espanhol] informou que as autoridades planejavam ter suficientes policiais à mão para evitar a manifestação. O sistema de Metrô de Madri estava alertando os passageiros a não irem à Puerta del Sol “porque a manifestação não tinha sido permitida”.

Mas, enfrentados a dezenas de milhares de pessoas, que, mais uma vez, estão determinadas a realizar seu protesto, as autoridades perceberam que seria imprudente usar a polícia antimotim para confrontá-las, visto que isto apenas radicalizaria ainda mais o movimento e provocaria uma resposta ainda mais massiva.

Não é somente na Espanha que os direitos democráticos estão sendo pisoteados. Há não muito tempo atrás, a Cossiga, que era cristão-democrata e foi ministro do interior da Itália na década de 1970 e que, mais tarde, foi presidente da república e, agora, é senador, foi perguntado o que deve ser feito nas manifestações dos estudantes. Ele respondeu:
“Deve-se deixá-los ir em frente por um tempo; retirar a polícia das ruas e dos campi; infiltrar no movimento agentes provocadores que estejam prontos para qualquer coisa; e deixar os manifestantes por cerca de 10 dias devastarem lojas, queimarem carros e virarem a cidade de cabeça para baixo. Depois disso, ao ganharmos o apoio da população – garantindo que o barulho das sirenes das ambulâncias seja mais alto que o das sirenes da polícia e dos carabinieri – as forças da ordem devem atacar impiedosamente os estudantes e enviá-los ao hospital. Não prendê-los, porque os juízes vão libertá-los imediatamente. Simplesmente espanca-los e também aos professores que fomentam o movimento.”

Esta é a autêntica voz da burguesia “democrática”. No momento em que seus privilégios são ameaçados, ela põe de lado a máscara sorridente da “democracia” e recorre à violência e à repressão. Os jovens da Espanha – como os jovens da Grã-Bretanha há alguns meses – estão recebendo uma esplêndida lição dos valores da democracia burguesa, dada sob a forma de golpes de cassetetes. Através da dispersão de uma manifestação pacífica, os governantes da Espanha mostraram duas coisas: em primeiro lugar, o seu desprezo total ao direito democrático do protesto; em segundo lugar, seu medo do povo.


Manifesto do Movimento 15 de Maio

Os jovens da Espanha estão começando a tirar as conclusões mais avançadas. Apresentamos a seguir o Manifesto do Movimento 15 de Maio. Embora não concordemos com cada ponto e vírgula deste documento, ele representa uma extraordinária expressão dos sentimentos de milhões de pessoas que agora estão começando a despertar para a vida política, pois ele é, fundamentalmente, um documento político, embora seus autores não utilizem esta palavra. A razão deles não gostarem da palavra “política” deve-se à escandalosa conduta dos partidos políticos existentes que fizeram esta palavra feder em suas narinas:
“Somos pessoas comuns. Somos como você: pessoas que se levantam todas as manhãs para estudar, trabalhar ou procurar emprego; pessoas que têm família e amigos. Pessoas que trabalham duramente, todos os dias, para proporcionar um futuro melhor àqueles que nos rodeiam.”

Comentário: O aspecto mais importante disto é justamente o fato de ser um movimento espontâneo, que vem de baixo, da base real da sociedade. É a voz de quem trabalha nas fábricas e estuda nas escolas e universidades: a voz real da Espanha, e não a dos exploradores e parasitas. É isto que representa sua força interna e sua resistência.
“Alguns de nós se consideram progressistas; outros se consideram conservadores. Alguns de nós somos crentes; outros, não. Alguns de nós temos ideologias claras e definidas; outros são apolíticos, mas estamos todos preocupados e irritados com as perspectivas políticas, econômicas e sociais que vemos ao nosso redor: a corrupção entre os políticos, empresários, banqueiros, deixando-nos indefesos e sem voz.”

Comentário: Este é um movimento de massas que está dando voz ao povo que não tem voz: as pessoas que não se sentem representadas pelos políticos profissionais e burocratas que se sentam nas Cortes, isto é, a grande maioria do povo espanhol. É um protesto contra a corrupção e a exploração. Mas, aqui, encontramos uma contradição. Como é possível afirmar concepções tão radicais e ser um conservador? Um conservador é alguém que quer conservar o status quo, que defende a ordem vigente que o movimento tem por objetivo derrubar.

Procurar construir um movimento de massa com a mais ampla base é muito bom. Mas não é possível combinar fogo e água. Ou defendemos uma mudança completa da sociedade, e neste caso seremos revolucionários. Ou defendemos sua preservação, e neste caso seremos conservadores. Uma pessoa pode ser uma ou outra coisa, mas não ambas.
“Tornou-se normal uma situação de sofrimento diário e sem esperança. Mas, se juntarmos forças, poderemos mudá-la. E já é hora de mudarmos as coisas; já é tempo de construirmos uma sociedade melhor juntos. Portanto, argumentamos solidamente que:

As prioridades de qualquer sociedade avançada devem ser a igualdade, o progresso, a solidariedade, a liberdade cultural, a sustentabilidade e o desenvolvimento, o bem estar e a felicidade do povo.

Estas são as verdades eternas que devemos respeitar em nossa sociedade: o direito à moradia, ao emprego, à cultura, à saúde, à educação, à participação política, ao desenvolvimento pessoal livre, e os direitos do consumidor para uma vida saudável e feliz.”

Comentário: Sim, temos de lutar por todas estas coisas. Mas devemos entender que há interesses poderosos que se opõem à mudança. Os banqueiros, os latifundiários e os capitalistas não aceitam que o direito à habitação, ao emprego, à cultura, à educação, à participação política, ao desenvolvimento pessoal livre e os direitos do consumidor a uma vida saudável e feliz sejam direitos inalienáveis.

Eles nos dizem que essas coisas são luxos que não podem pagar. Apenas o direito dos banqueiros de receberem grandes quantidades de dinheiro público é considerado por eles como algo inalienável.
“O fato corrente de nosso governo e de nosso sistema econômico não cuidarem destes direitos e de muitos outros casos, é um obstáculo ao progresso humano.”

Comentário: Isto é verdade, mas necessita ser esclarecido, para que não haja uma só sombra sobre a real natureza do problema. O desemprego não é resultado de más políticas deste ou daquele governo. É a expressão da enfermidade de todo um sistema, isto é, do capitalismo. O problema não é a ganância de alguns indivíduos, nem a falta de liquidez ou a falta de confiança. O problema é que o sistema capitalista em escala mundial encontra-se em um beco sem saída.

A causa básica da crise é que o desenvolvimento das forças produtivas superou os estreitos limites da propriedade privada e do Estado-nação. A expansão ou a contração do crédito é muitas vezes apresentada como a causa da crise, mas, na verdade, é apenas o sintoma mais visível. As crises são parte integrante do sistema capitalista.

É realmente lógico que as vidas e os destinos de milhões de pessoas sejam determinados pelo jogo cego das forças de mercado? É justo que a vida econômica do planeta seja decidida como se fosse um gigantesco cassino? Pode-se justificar que a avidez pelo lucro seja a única força motriz que decide se os homens e as mulheres vão ter emprego ou teto sobre suas cabeças? Os que possuem os meios de produção e controlam nossos destinos responderão de forma afirmativa, pois é de seu interesse fazê-lo. Mas a maioria da sociedade, que forma a legião de vítimas inocentes deste sistema canibal, discorda disto.
“A democracia pertence ao povo (demos = povo, kratos = governo), o que significa que o governo é feito de cada um de nós. Contudo, na Espanha, a maioria da classe política sequer nos ouve. Os políticos deviam estar levando nossa voz às instituições, facilitando a participação política dos cidadãos através de canais diretos que ofereçam o maior benefício a toda a sociedade, e não se esforçarem para ficar ricos e prósperos a nossa custa, atendendo apenas à ditadura das grandes potências econômicas e à manutenção no poder através de um bipartidarismo chefiado pelas irremovíveis siglas PP&PSOE.”

Comentário: A democracia capitalista deve ter necessariamente um caráter restrito, unilateral e fictício. O que é a liberdade de imprensa quando todos os grandes jornais, revistas e empresas de televisão, salas de reunião e teatros encontram-se nas mãos dos ricos? Enquanto a terra, os bancos e os grandes monopólios continuarem nas mãos de poucos, todas as decisões realmente importantes que afetam nossa vida vão ser tomadas, não pelos parlamentos e governos eleitos, mas por trás de portas fechadas nos conselhos de administração dos bancos e das grandes empresas. A crise atual expôs este fato a todos que possam ver.

Defendemos uma democracia genuína em que o povo tome o funcionamento da indústria, da sociedade e do estado em suas próprias mãos. Esta seria uma verdadeira democracia, ao contrário da caricatura que temos agora, em que qualquer um pode dizer (mais ou menos) o que quer, enquanto as decisões mais importantes que afetam nossas vidas são tomadas a portas fechadas por pequenos grupos não eleitos nos conselhos de administração dos bancos e dos grandes monopólios.
“A paixão pelo poder e seu acúmulo por poucos criam desigualdades, tensões e injustiças, que levam à violência, que rejeitamos. O obsoleto e antinatural modelo econômico alimenta a maquinaria social em espiral crescente que se consome através do enriquecimento de uns poucos e que envia à pobreza o restante. Até ao colapso.

O desejo e objetivo do presente sistema é a acumulação de dinheiro e não a eficiência e o bem estar da sociedade. Desperdiçando recursos, destruindo o planeta, criando desemprego e consumidores insatisfeitos.

Os cidadãos são as engrenagens de uma máquina concebida para enriquecer uma minoria que não respeita nossas necessidades. Somos anônimos, mas sem nós nada disto existiria, porque nós movemos o mundo.

Se, como sociedade, aprendermos a não confiar nosso futuro a uma economia abstrata, que não retorna benefícios à maioria, poderemos eliminar o abuso que todos estamos sofrendo.”

Comentário: O direito ao trabalho é um direito fundamental. Que tipo de sociedade é este que condena milhões de homens e mulheres a uma vida de inatividade forçada, enquanto o seu trabalho e sua competência são necessários para satisfazer as necessidades da população? Não necessitamos de mais escolas e hospitais? Não necessitamos de boas estradas e casas? Não necessitam de reparos e melhorias nossas infraestruturas e sistemas de transporte?

A resposta a todas estas perguntas é óbvia. Mas a resposta da classe dominante é sempre a mesma: não podemos permitir tais coisas. Agora, todos sabem que esta resposta é falsa. Sabemos, agora, que os governos podem gerar somas extraordinárias de dinheiro quando convém aos interesses da minoria rica que possui e controla os bancos e as indústrias. É somente quando a maioria do povo trabalhador solicita o atendimento de suas necessidades que o governo alega não ter dinheiro disponível.

O que isto prova? Prova que, no sistema em que vivemos, o lucro de uns poucos é mais importante que as necessidades de muitos. Isto prova que todo o sistema produtivo baseia-se em uma só e mesma coisa: a motivação do lucro, ou, dito com mais clareza, a ganância.
“Necessitamos de uma revolução ética. Em vez de colocar o dinheiro acima dos seres humanos, devemos colocá-lo a nosso serviço. Somos pessoas e não produtos. Eu não sou um produto que compro, porque posso comprar e que compro.”

Comentário: A única solução para os problemas aqui listados é a derrubada do corrupto e injusto sistema e sua substituição por uma sociedade verdadeiramente racional e democrática, que é o verdadeiro socialismo ou comunismo. Para se atingir este objetivo, porém, é necessária uma mudança fundamental na sociedade através de uma revolução.

O Manifesto fala de uma “revolução ética”. Mas esta formulação é demasiado vaga. A ética de uma determinada sociedade reflete a base econômica dessa sociedade. Se aceitarmos um sistema econômico baseado no lucro, teremos de aceitar a ética que daí deriva: “cada um por si e o diabo contra todos”.

Uma sociedade canibal terá, inevitavelmente, a ética antropofágica. Para termos uma ética humana, devemos ter necessariamente uma sociedade baseada em verdadeiras relações humanas. A condição prévia para uma revolução ética é uma revolução social.
“Por tudo que foi exposto, estou indignado.
Penso que se pode mudar isto.
Penso que posso ajudar,
Sei que juntos podemos. Penso que posso ajudar.
Sei que juntos podemos.”

Esta conclusão contém uma lição muito importante. Ela nos diz que, enquanto eu, como indivíduo, sou impotente, não há poder na terra que possa com as massas, uma vez mobilizadas e organizadas para a transformação revolucionária da sociedade. Esta é a lição da Tunísia e do Egito. A classe trabalhadora tem em suas mãos um poder colossal: nenhuma lâmpada brilha, nenhuma roda gira, nenhum telefone toca sem nossa permissão.




Conclusões avançadas 

O fato mais importante é que a juventude está se movimentando. E, através da experiência da luta concreta, as conclusões que o movimento como um todo está tirando estão se tornando mais avançadas e estão entrando de forma mais aberta em conflito com o próprio sistema capitalista. Assim, na manifestação de Madri da terça-feira, em protesto contra o brutal despejo do acampamento naquela mesma manhã, as seguintes palavras de ordem estavam sendo ouvidas: “Não é a crise; é o sistema”, “A revolução começou”, “O povo unido jamais será vencido”, “Lutar, criar, poder popular”.

O manifesto aprovado por dezenas de milhares de pessoas presentes na Puerta del Sol em Madri, em 18 de maio, foi certamente um passo a frente. Entre outras coisas, reconheceu o caráter político do movimento: “Nós perdemos o respeito pelos partidos políticos principais, mas não perdemos nossa capacidade de criticar. Pelo contrário, não temos medo dapolítica. Expressar uma opinião é política. Buscar formas alternativas de participação épolítica”. O manifesto também esclareceu que não exige abstenção nas eleições, mas exigiu que “o voto tivesse um impacto real em nossas vidas”. O manifesto também identifica claramente os responsáveis pela “situação que enfrentamos: o FMI, o Banco Central Europeu, a União Europeia, as agências de notação de crédito, como a Moody’s e a Standard and Poor’s, o Partido Popular e o PSOE”, entre outros. Alguns também estão questionando a monarquia como instituição argumentando que deve ser submetida a um referendo.

Agora, a Junta Eleitoral declarou que nenhum protesto no sábado (o “dia da reflexão” antes das eleições, dia em que nenhuma propaganda política é permitida) e no domingo (dia da eleição) será permitido. Este é um desafio direto ao movimento. O único efeito da repressão em Madri, na terça-feira, dia 17 de maio, e da proibição da manifestação da quarta-feira, dia 18 de maio, foi o de radicalizar e difundir o movimento. Manifestações em capitais provinciais dobraram de tamanho nos últimos dias e os acampamentos surgiram em todas as partes. Há agora um apelo para que todos permaneçam nas praças a partir da meia-noite de hoje, desafiando, assim a proibição das manifestações.

A classe dominante espanhola enfrenta uma escolha difícil: se usar a repressão para fazer cumprir a decisão de proibir as manifestações, então poderá provocar uma explosão social; se não o fizer, então o movimento obterá uma vitória e revelará o poder das massas em oposição ao poder das instituições oficiais. O vice-presidente do governo, Rubalcaba, tentou hoje resolver o problema da quadratura do círculo, argumentando que o fato das pessoas se reunirem, apesar da proibição de encontros, “não é razão suficiente para a polícia intervir, se não houver violência”.

Nós, os marxistas, damos as boas-vindas aos protestos da juventude. Expressamos nossa solidariedade incondicional ao movimento de protesto e apelamos à classe trabalhadora para apoiá-lo ativamente. Já está na hora de se usar o poder da classe trabalhadora para mudar a sociedade. Paremos de tentar sustentar um sistema doente e moribundo! É tempo de união e luta! Este é o significado real dos protestos espanhóis e do Movimento 15 de maio.

Viva os protestos espanhóis!
Viva o Movimento 15 de maio!


Londres, 20 de maio de 2011.

Fonte: www.marxismo.org.br